Por Celso Alonso
Michelle Bolsonaro desponta como o principal nome da eleição de 2026 no Distrito Federal e já é tratada como aposta prioritária do Partido Liberal (PL) para a disputa ao Senado. Fora da corrida pelo Palácio do Buriti, a sigla concentra esforços na consolidação de sua candidatura, considerada estratégica para fortalecer a direita conservadora na capital do país.
À frente do PL Mulher, Michelle ampliou sua projeção política nos últimos anos, combinando discurso alinhado a pautas conservadoras com forte apelo popular. A transferência de seu domicílio eleitoral para Brasília, prevista para julho de 2025, é vista como um movimento calculado para consolidar sua influência local e nacional, posicionando-a como protagonista do pleito de 2026.
Mesmo sem anúncio oficial, aliados tratam sua candidatura como praticamente definida. A trajetória construída ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro garante a Michelle respaldo expressivo da base bolsonarista, que a enxerga como herdeira natural do capital político conservador no Distrito Federal.
Um dos principais pilares de sua pré-campanha é o apoio da comunidade evangélica. Lideranças religiosas do DF, articuladas politicamente pela senadora Damares Alves, têm mobilizado igrejas e fiéis em torno do nome de Michelle. Pastores e bispos alinhados às pautas de família, moralidade e valores cristãos veem na ex-primeira-dama uma representante legítima desses princípios no Senado.
No tabuleiro político local, Michelle ainda ganha vantagem estratégica ao poder transitar por dois palanques robustos na disputa pelo governo do DF: o da vice-governadora Celina Leão (PP) e o do ex-governador José Roberto Arruda (PSD). A convergência dessas forças amplia sua visibilidade e reforça sua condição de candidata capaz de unificar a direita ampla.
Enquanto isso, a concorrência interna no campo conservador é considerada limitada, com nomes como Bia Kicis aparecendo sem o mesmo fôlego eleitoral. Paralelamente, a disputa pela segunda vaga ao Senado também movimenta o cenário político. O governador Ibaneis Rocha (MDB) trabalha abertamente para viabilizar sua candidatura e já definiu que se licenciará do cargo no dia 28 de março, com o objetivo de se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral, sinalizando que tratará a corrida ao Senado como prioridade absoluta.
No campo da esquerda, o ambiente é de desorganização e enfraquecimento acelerado. A disputa interna pelo governo expõe a fragmentação do grupo, com Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) disputando o mesmo espaço político e aprofundando divisões que afastam o eleitorado.
Na corrida ao Senado, a situação é ainda mais delicada para o campo progressista. A articulação envolvendo Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT) evidencia um grupo em queda livre no Distrito Federal, marcado por desgaste político, rejeição crescente e perda de capilaridade nas regiões administrativas.
“Michelle simboliza a renovação que o Distrito Federal precisa, com firmeza de valores, compromisso com a família e coragem para enfrentar o sistema. Sua candidatura ao Senado é um passo natural”, afirmou uma liderança do PL Mulher, refletindo o clima de confiança entre aliados.
Diante de uma direita organizada, com liderança clara e discurso coeso, e de uma esquerda fragmentada, em visível declínio político no Distrito Federal, o cenário de 2026 começa a se desenhar com nitidez. Michelle Bolsonaro ocupa hoje um espaço que seus adversários não conseguiram preencher: o da identificação popular, da mobilização eleitoral e da representação de valores. Mantido o atual quadro, a disputa pelo Senado no DF caminha menos para a incerteza e mais para a confirmação nas urnas, enquanto a segunda vaga, disputada voto a voto, se consolida como o verdadeiro campo de batalha da eleição.
