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PF esfrega a cara de Gonet no chapisco e faz PGR passar vergonha monumental

Imagem: Antonio Augusto/Secom/TSE

Por Celso Alonso

A atuação da Polícia Federal no caso que envolve o ministro Dias Toffoli e o chamado caso Banco Master acabou por escancarar uma ausência institucional considerada grave nos bastidores de Brasília: o silêncio do Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Paulo Gonet.

Análise publicada pelo advogado Enio Viterbo aponta que, diante de uma sucessão de fatos sensíveis envolvendo ministros do Supremo, coube à Polícia Federal assumir protagonismo que constitucionalmente deveria ser exercido pela PGR. A leitura predominante entre investigadores é de que Gonet se manteve inerte mesmo diante de indícios que exigiriam manifestação firme e imediata do Ministério Público.

A cronologia dos acontecimentos reforça o constrangimento institucional. Toffoli aceitou relatar o caso no Supremo Tribunal Federal com base em justificativa considerada frágil por críticos. Em seguida, reportagens revelaram negócios entre familiares do ministro e a família do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, envolvendo cifras milionárias incompatíveis com o padrão de vida declarado de alguns dos envolvidos.

Nos bastidores, investigadores da Polícia Federal passaram a considerar insustentável a permanência de Toffoli na relatoria. Ainda assim, o ministro determinou que todo o material apreendido fosse entregue de forma lacrada e indicou os próprios peritos responsáveis pela análise, decisão que ampliou o desconforto interno na corporação.

O cenário se agravou quando a PF identificou, em celulares apreendidos, conversas que envolveriam diretamente o próprio relator. Diante da gravidade do conteúdo, os investigadores levaram o material ao presidente do Supremo e, em movimento considerado inédito, formalizaram pedido de suspeição de Toffoli.

Paralelamente, novas informações aumentaram ainda mais a pressão sobre o sistema de Justiça. Veio à tona o envolvimento da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master, ampliando o alcance do escândalo e reforçando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse no núcleo mais sensível da Corte. Mesmo diante desse novo elemento, considerado gravíssimo por juristas e investigadores, a Procuradoria-Geral da República permaneceu em absoluto silêncio.


O dado mais sensível de todo o episódio, segundo críticas recorrentes, é a completa ausência de atuação de Paulo Gonet ao longo de todas as etapas do imbróglio. Mesmo com ministros citados em conversas de investigados, indícios de relações financeiras cruzadas e questionamentos públicos crescentes, não houve pedido, manifestação formal ou qualquer iniciativa visível da PGR.

Na prática, a Polícia Federal acabou ocupando um espaço que deveria ser do Ministério Público, provocando diretamente o Supremo e expondo um vácuo de comando institucional. Para críticos, a PF “passou por cima” da PGR, produzindo uma situação descrita como vergonha monumental para o órgão responsável por fiscalizar a lei.

O episódio deixa uma marca profunda na relação entre as instituições: pela primeira vez, a Polícia Federal não apenas investigou, mas também liderou movimentos que caberiam ao chefe do Ministério Público da União. Nos corredores de Brasília, a pergunta que ecoa é inevitável — quem exerce o papel de fiscal da lei quando o Procurador-Geral da República escolhe a omissão diante de fatos tão graves?

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