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Postura triunfalista de Luiz Inácio pode virar risco eleitoral e derrota histórica não está descartada

Clima de já ganhou de Luiz Inácio e menosprezo a Flávio pode custar caro e ser fator humilhante para as pretensões políticas do petista e seus aliados, repercutindo negativamente em todas as instâncias que dependem da sua vitória nas próximas eleições para não frustrar seus planejamentos


Por Celso Alonso

A postura adotada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos bastidores da corrida presidencial começa a acender alertas até entre aliados mais cautelosos. Em jantar com deputados realizado na noite de quarta-feira (4), na Granja do Torto, o presidente deu sinais claros de que já se enxerga como vencedor da eleição de outubro, em um movimento que muitos avaliam como precipitado, e potencialmente perigoso.

Durante o encontro, Luiz Inácio citou nominalmente governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Júnior (PR), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) como possíveis parâmetros de comparação política, mas ignorou completamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato declarado da oposição. A omissão chamou atenção, sobretudo porque ocorre em um momento em que pesquisas já apontam cenários de segundo turno com empate técnico entre Lula e Flávio.

Ao afirmar aos parlamentares que “não ganhou ainda, mas vai ganhar”, o presidente reforçou um discurso de vitória antecipada que contrasta com a realidade do atual ambiente político: polarizado, imprevisível e marcado por crescente desgaste do Governo petista. Para analistas e lideranças políticas, o desprezo público a um adversário em ascensão pode ser um erro estratégico clássico, aquele em que o excesso de confiança faz o tiro sair pela culatra.

Além do erro de cálculo político, Luiz Inácio enfrenta um cenário de desgaste acelerado provocado por escândalos recentes que atingem diretamente o governo petista. As denúncias envolvendo o esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias do INSS e o caso do Banco Master expuseram a proximidade de integrantes da alta cúpula do governo, políticos aliados, ministros e até familiares do presidente com investigações sensíveis. Esses episódios minaram o discurso ético da gestão, ampliaram a desconfiança popular e reforçaram a percepção de promiscuidade entre poder político e interesses privados. No ambiente eleitoral, tais escândalos tendem a se tornar munição pesada para a oposição, com potencial de se consolidar como pontos centrais da campanha e fatores decisivos para derrotar o petista nas urnas.

Outro fator que pode pesar contra Luiz Inácio no cenário eleitoral é a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e, sobretudo, a forma como todo o processo foi conduzido. Para uma parcela expressiva do eleitorado, as decisões judiciais e a condução do caso reforçaram a percepção de perseguição política e de uso seletivo das instituições, transformando Bolsonaro em símbolo de injustiça aos olhos de seus apoiadores e até de eleitores moderados. Esse sentimento tende a gerar reação nas urnas, fortalecendo a oposição e alimentando um voto de protesto contra o governo petista. Longe de enfraquecer o campo adversário, o episódio pode ter produzido o efeito inverso, ampliando a rejeição a Luiz Inácio e contribuindo de forma decisiva para uma possível derrota eleitoral.

Também pesam contra o presidente falas antigas e recentes, amplamente repercutidas, que são vistas como desastrosas do ponto de vista social e político. Declarações atribuídas a Luiz Inácio Lula da Silva, como a de que “Pobre não nasceu para estudar, nasceu para trabalhar”, dita pelo petista num discurso em 16 de janeiro de 2026, durante a celebração dos 90 anos da criação do salário mínimo na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, voltaram a circular com força nas redes e no debate público, reforçando a percepção de desprezo em relação à população mais vulnerável. Soma-se a isso outra fala polêmica, na qual o próprio petista afirmou que “Pobre não tem que aprender, pobre tem que trabalhar”, dita em um evento na PUC-SP, 24/10/2022, interpretação explorada pela oposição como prova de que os mais humildes seriam tratados apenas como massa de manobra eleitoral. Para críticos do governo, esse conjunto de declarações expõe uma visão utilitarista do eleitor pobre, usada estrategicamente em campanhas, mas ignorada quando o assunto é oferecer educação, autonomia e ascensão social reais.

Somam-se a esse cenário outros fatores que ampliam o desgaste do governo petista, como o enfraquecimento da economia, a crise recorrente nos Correios e a crescente insatisfação de categorias estratégicas, a exemplo dos professores, que reagiram com indignação ao reajuste considerado simbólico, apenas R$ 18 no teto salarial. Esses episódios alimentam a percepção de perda de poder de compra, falta de prioridade com serviços essenciais e distanciamento do governo em relação às demandas reais da população. Paralelamente, as constantes interferências do Judiciário em temas políticos e administrativos reforçam a sensação de instabilidade institucional e desequilíbrio entre os Poderes. No conjunto, esses elementos tendem a pesar fortemente no humor do eleitorado e podem se mostrar cruciais no processo eleitoral que se avizinha, aprofundando o risco de derrota do atual governo.

Outro fator de forte desgaste vem da política salarial adotada para os professores da rede pública. O piso nacional do magistério passou de R$ 4.867,77 em 2025 para R$ 5.130,63 em 2026, um reajuste de aproximadamente 5,4%, considerado insuficiente por grande parte da categoria. A insatisfação cresce porque o aumento coincide com o início da obrigatoriedade de declaração do Imposto de Renda para quem recebe acima de R$ 5.000, fazendo com que muitos docentes passem a pagar tributos e sintam, na prática, não um ganho, mas uma perda financeira. Entre educadores e críticos do Governo petista, há a percepção de que o reajuste teria sido calculado justamente para empurrar os profissionais para a faixa de tributação, diferentemente do governo Jair Bolsonaro, que concedeu um reajuste de 33,24%. O contraste reforça a narrativa de desvalorização da categoria e amplia o descontentamento em um setor estratégico para o debate eleitoral.

Também pesam contra o presidente falas antigas e recentes, amplamente repercutidas, que são vistas como desastrosas do ponto de vista social e político. Declarações atribuídas a Luiz Inácio Lula da Silva, como a de que “pobre não precisa estudar, tem que trabalhar”, voltaram a circular com força nas redes e no debate público, reforçando a percepção de desprezo em relação à população mais vulnerável. Soma-se a isso outra fala polêmica, na qual o próprio petista afirmou que “o pobre é bom para votar”, interpretação explorada pela oposição como prova de que os mais humildes seriam tratados apenas como massa de manobra eleitoral. Para críticos do governo, esse conjunto de declarações expõe uma visão utilitarista do eleitor pobre, usada estrategicamente em campanhas, mas ignorada quando o assunto é oferecer educação, autonomia e ascensão social reais.

A tentativa de Luiz Inácio de escolher seus próprios adversários, ignorando quem cresce nas pesquisas, pode acabar fortalecendo justamente aquilo que ele tenta minimizar. Ao tratar Flávio Bolsonaro como irrelevante, o presidente corre o risco de alimentar a narrativa de subestimação do eleitorado oposicionista, algo que historicamente cobra seu preço nas urnas.

Nos bastidores do Congresso, a leitura é de que o jantar marcou o início informal da campanha, com Luiz Inácio antecipando comparações e delimitando o campo de batalha eleitoral. Paralelamente, o presidente fez acenos ao Legislativo, elogiando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e sinalizando uma tentativa de pacificação institucional com agendas previstas também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ainda assim, esses movimentos não eliminam o ruído político crescente.

O maior risco para Luiz Inácio, porém, está no cenário em que não haja interferência externa capaz de alterar o jogo eleitoral. Sem fatores extraordinários, o avanço da oposição, somado ao desgaste econômico, social e institucional do atual governo, pode levar o presidente a um desfecho que entraria para a história não como consagração, mas como derrota emblemática de quem acreditou cedo demais na vitória.

A política brasileira já mostrou, mais de uma vez, que soberba eleitoral costuma ser punida. Ao agir como se a disputa estivesse resolvida, Luiz Inácio pode acabar despertando exatamente o que tenta evitar: uma mobilização silenciosa do eleitorado que transforma confiança excessiva em derrota histórica nas urnas.

Para a direita, o cenário que se desenha é de oportunidade rara. Com Flávio Bolsonaro consolidando-se como principal polo de oposição, a narrativa de mudança, reação institucional e resgate da confiança econômica ganha força entre eleitores cansados de escândalos, promessas não cumpridas e da sensação de governo refém de crises permanentes. Se a campanha conseguir canalizar o sentimento de insatisfação popular e transformá-lo em proposta concreta de futuro, a eleição de outubro pode marcar não apenas uma derrota do Governo petista, mas a virada de página que a direita espera desde 2022. No tabuleiro político atual, enquanto Luiz Inácio parece apostar na vitória antecipada, Flávio Bolsonaro cresce como alternativa real e, ao que tudo indica, cada erro do Planalto pode empurrar o eleitorado um passo mais perto dessa mudança.

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