A tentativa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de conter danos institucionais provocados pelo escândalo do caso Master acabou expondo ainda mais as fissuras internas da Corte. Apenas dois dias após defender publicamente a adoção de um Código de Conduta e apelar à autocontenção dos ministros, Fachin foi confrontado em pleno plenário por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que rejeitaram a própria ideia de regras adicionais de comportamento.
Ao reagirem, Moraes e Toffoli sustentaram que não há necessidade de qualquer código, sob o argumento de que magistrados já seriam excessivamente controlados e fiscalizados. A fala, no entanto, soou para críticos como uma negativa explícita de reconhecer o problema central: não apenas a legalidade formal das decisões, mas a crescente desconfiança pública sobre conflitos de interesse, conduta pessoal e a politização do Supremo.
A resposta dura dos ministros também incluiu ataques indiretos às críticas feitas ao STF, classificadas novamente como fruto de “ignorância”, “má-fé” ou da combinação de ambas. A postura defensiva reforçou a percepção de isolamento da Corte em relação à sociedade e à imprensa, justamente no momento em que a credibilidade institucional deveria ser prioridade absoluta.
No discurso de abertura do ano do Judiciário, Fachin havia feito uma referência clara, ainda que cuidadosa, ao impacto do escândalo envolvendo o caso Master, ao afirmar que ministros são responsáveis por suas escolhas e que a imagem da Corte precisa ser preservada. Moraes e Toffoli, contudo, optaram por minimizar o desgaste, afirmando que jamais julgaram processos nos quais houvesse conflito de interesses, declaração que, para muitos observadores, ignora o debate maior sobre aparência de imparcialidade e transparência.
O embate público revela que o problema no STF vai além de um episódio isolado. Trata-se de uma crise de percepção e confiança. Enquanto a presidência da Corte reconhece que a imagem institucional está em jogo, parte de seus integrantes prefere negar a necessidade de qualquer ajuste de conduta, mesmo diante do desgaste evidente.
Ao rejeitarem um Código de Conduta, Moraes e Toffoli não apenas confrontam o presidente do Supremo, mas reforçam a leitura de que o tribunal resiste a mecanismos mínimos de autorregulação. O resultado é uma fratura exposta: um STF dividido internamente e cada vez mais distante da expectativa social por transparência, equilíbrio e responsabilidade. Em vez de conter a crise, a reação dos ministros amplia o questionamento sobre quem vigia a Corte que deveria ser o guardião máximo da Constituição.
