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Vazamento de reunião sigilosa gera tensão no STF e levanta suspeita de gravação clandestina

Ministros suspeitam que Dias Toffoli tenha gravado a reunião de forma clandestina e divulgado os áudios. Ministro nega



Por Celso Alonso

A divulgação pública de falas atribuídas a ministros do Supremo Tribunal Federal durante uma reunião fechada provocou forte desconforto interno e acendeu um alerta entre integrantes da Corte. O encontro, convocado para discutir a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria de um processo relacionado ao Banco Master, acabou tendo desdobramentos que vão além da decisão final tomada naquela ocasião.

Embora a reunião tenha resultado no afastamento de Toffoli do caso, o que passou a dominar as conversas nos bastidores foi a origem das informações que vieram a público. Os diálogos divulgados apresentam alto nível de precisão, com falas literais e atribuições nominais a ministros, o que levantou suspeitas de que o encontro possa ter sido gravado sem autorização, hipótese considerada grave e inédita por membros do tribunal.

O próprio Toffoli negou qualquer participação no suposto vazamento. Segundo pessoas próximas, o ministro afirma não ter realizado gravações nem repassado relatos detalhados da reunião a terceiros. Ele também teria aventado a possibilidade de falha de segurança ou acesso indevido a sistemas internos da Corte.

O episódio gerou um ambiente de mal-estar entre os magistrados. Avaliações internas apontam que os trechos tornados públicos expõem partes sensíveis do debate, mas sem apresentar o contexto completo das discussões. A reunião teria sido marcada por divergências sobre os efeitos institucionais do caso e sobre o impacto político que a condução do processo poderia provocar na imagem do STF.

Entre os ministros citados nas informações divulgadas estão Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, além de Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Parte deles teria feito críticas ao relatório da Polícia Federal que embasou a controvérsia, enquanto outros defenderam cautela para evitar desgaste institucional.

Apesar das posições divergentes, prevaleceu o entendimento de que a saída de Toffoli da relatoria seria a alternativa menos danosa naquele momento, preservando a estabilidade interna do tribunal.

A suspeita de uma eventual gravação clandestina, contudo, passou a ser vista como um fator ainda mais preocupante. Ministros avaliam que, se confirmada, a quebra de confidencialidade pode comprometer a confiança entre os membros da Corte, um elemento considerado essencial para o funcionamento do STF, e abrir caminho para novos e delicados desdobramentos institucionais.

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