Sem reajuste desde 2018, aumento nas pensões foi aprovado pela Assembleia Legislativa. Falta agora a sanção do governador Ronaldo Caiado
Otavio Augusto/Arte Metrópoles

Após sete anos sem reajuste, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, nessa quinta-feira (26/3), o aumento das pensões pagas às vítimas do acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia. O projeto, no entanto, ainda depende da sanção do governador Ronaldo Caiado (PSD) para entrar em vigor.
A proposta, que tramitou sob o nº 4577/26, foi enviada pelo Executivo estadual no dia 17 de março. As vítimas do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear estavam sem reajuste nas pensões desde 2018.
Memórias radioativas
A história completa do acidente com Césio-137 é contada na série de reportagens especiais do Metrópoles “Memórias radioativas”.
Confira:
- Memórias radioativas: vítimas do Césio-137 lutam para não serem esquecidas
- Césio-137: relembre a história de Leide, vítima símbolo da tragédia
- Césio-137: pensões das vítimas estão sem reajuste há 7 anos
- O que dizem as vítimas do Césio-137 sobre a série da Netflix
- Saiba tudo sobre o Césio-137, material que causou tragédia em Goiânia
Com a mudança, as pensões passam de R$ 954 para R$ 1.621 – faixa em que está a maioria dos beneficiários.
Já os radioacidentados com contato direto com o material ou expostos a mais de 100 RAD terão o valor elevado de R$ 1.908 para R$ 3.242, conforme previsto no Anexo I da Lei nº 14.226/2002.
Segundo o governo estadual, 603 pessoas recebem atualmente a pensão vitalícia. O reajuste contempla, entre outros, profissionais que atuaram na descontaminação da área afetada, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas do acidente.
Acidente com Césio-137
O acidente com o Césio-137, em Goiânia, é considerado o maior desastre radiológico já ocorrido no Brasil. O episódio começou em setembro de 1987, quando dois catadores de material reciclável encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada. Ao desmontar o equipamento, eles tiveram acesso a uma cápsula que continha Césio-137, substância altamente radioativa.
Sem conhecimento do risco, o material foi levado a um ferro-velho, onde o então proprietário, Devair Alves Ferreira, abriu a cápsula. Encantado com o brilho azul emitido pela substância, ele compartilhou fragmentos com familiares, amigos e vizinhos, o que contribuiu para a disseminação da contaminação.
Nas semanas seguintes, diversas pessoas passaram a apresentar sintomas graves, como vômitos, queimaduras e queda de cabelo. Ao todo, 249 pessoas foram contaminadas, quatro morreram em decorrência da exposição — entre elas a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que se tornou símbolo da tragédia.

A descoberta do acidente levou à mobilização de autoridades e equipes especializadas, com isolamento de áreas, demolição de imóveis e descontaminação em larga escala. O caso evidenciou falhas na fiscalização de materiais radioativos no país e deixou marcas profundas na população de Goiânia, além de gerar impactos sociais, econômicos e de saúde que persistem até hoje.

