
A Polícia Federal avisou aos advogados de Daniel Vorcaro que “a delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB está bem encaminhada”, e que se o dono do Master não começar a “avançar nos detalhes, como nomes, datas e provas da participação de envolvidos no esquema”, a concessão do benefício para o banqueiro “não será mais necessária”.
Os investigadores afirmam que “esperam mais informações, que sejam relevantes para a apuração” nos próximos 10 dias. Caso contrário, vão rejeitar totalmente a segunda proposta de delação apresentada por ele.
Se isso acontecer, está aberto o caminho para que o relator do caso Master no stf, André Mendonça, decida sobre o pedido que já foi feito pela corporação: para que Vorcaro saia da sala de estado maior na Superintendência da PF e retorne ao presídio da Papuda.
Delação
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (16) e prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa em Brasília. A prisão, segundo a PF, é fruto de informações prestadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Baster, na base da delação premiada. A delação ainda não foi fechada: os advogados seguem negociando com a polícia federal o que será apresentado para análise do supremo.
Vorcaro informou que repassou seis imóveis ao então presidente do BRB, avaliados em cerca de R$ 150 milhões, em troca de facilitar as fraudes financeiras.
Daniel Monteiro, outro alvo de mandado de prisão, é tido como “importantíssimo” pela PF dentro do esquema criminoso. Ele é advogado, e controlava diversos fundos. A suspeita é que usava esses fundos em operações de triangulação de recursos, para dificultar que o dinheiro fosse rastreado. Ele seria um dos operadores financeiros do esquema de Vorcaro.
Prisão
Costa é suspeito de não seguir práticas de governança em negócios com o banco Master. A quarta fase da operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.
Os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no Distrito Federal e em São Paulo.
Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Em novembro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, Costa foi afastado do cargo de presidente do BRB. Em janeiro, o ex-presidente da instituição prestou depoimento e revelou detalhes sobre o problema de liquidez do banco Master.
Questionado se o travamento dos repasses do Master ocorria apenas nas carteiras de renda ou em todas as modalidades de crédito, o ex-presidente do BRB foi direto: “De todas”.
Essa informação foi considerada crucial para os investigadores da Polícia Federal, pois indica que a incapacidade de pagamento do Banco Master era generalizada.
Para a fiscalização do Banco Central, entretanto, o fato de o repasse de “todas as carteiras” ter sido afetado reforça a tese de que os ativos vendidos ao banco estatal — muitos deles classificados como “créditos podres” ou sem lastro — já não possuíam capacidade de gerar a liquidez prometida.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a falta de liquidez relatada por Paulo Henrique Costa seja o resultado direto de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões.
