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Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no Brasil

Natural de Lins (SP), Waldirene tinha 80 anos e morreu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda. Ela ficou marcada pela luta por reconhecimento e direitos da população trans no país.


Waldirene Nogueira, primeira mulher trans do Brasil a passar por uma cirurgia de redesignação sexual, morreu aos 80 anos.

Natural de Lins, ela morreu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda.

A cirurgia de redesignação sexual foi realizada em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, pelo cirurgião plástico Roberto Farina.

Após a operação, Waldirene enfrentou uma longa batalha judicial ao tentar alterar seus documentos.

Morreu nesta terça-feira (19), aos 80 anos, Waldirene Nogueira, primeira mulher trans do Brasil a passar por uma cirurgia de redesignação sexual.

Natural de Lins (SP), ela morreu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda. A informação foi confirmada pela família.

Segundo Alessandra Cotrim, sobrinha de Waldirene, ela vivia acamada em Ubatuba, sob os cuidados de um dos irmãos.

De acordo com a funerária responsável pelo sepultamento, o corpo será levado para Lins, onde será velado na manhã desta quarta-feira (20), a partir das 7h. O enterro está previsto para as 17h, no Cemitério da Saudade.

Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no Brasil — Foto: Facebook/Reprodução

Pioneira

Nascida em 1945, Waldirene foi registrada ao nascer como Waldir Nogueira. Em 1969, começou a ser acompanhada pela endocrinologista Dorina Epps, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após dois anos de avaliações médicas e psicológicas, recebeu o laudo que reconhecia sua transexualidade.

A cirurgia de redesignação sexual foi realizada em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, pelo cirurgião plástico Roberto Farina. O procedimento é considerado o primeiro do tipo realizado no Brasil.

Após a operação, Waldirene enfrentou uma longa batalha judicial. Ao tentar alterar seus documentos, viu o médico Roberto Farina ser condenado a dois anos de reclusão por lesão corporal gravíssima em razão da cirurgia.

Waldirene no Carnaval, na década de 1970 — Foto: Arquivo pessoal

Em 1976, ela foi levada de forma coercitiva ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames invasivos e foi fotografada nua. Mesmo diante da pressão, Waldirene atuou na defesa do cirurgião, reunindo cartas de apoio de autoridades e familiares.

O pedido de alteração do nome foi negado inicialmente, e ela permaneceu registrada como Waldir por décadas. A retificação na certidão de nascimento só ocorreu em 2010, quando tinha 65 anos. O novo RG foi emitido em 2011.

Formada em contabilidade, nunca exerceu a profissão por causa da divergência entre sua identidade e os documentos civis. Ao longo da vida, trabalhou como manicure e viveu de forma discreta.

Cirurgião plástico Roberto Farina foi o primeiro a realizar cirurgias em transexuais femininos e masculinos no Brasil — Foto: ARQUIVO DA FAMÍLIA DE ROBERTO FARINA

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