Gestão municipal afirma ter chegado ao limite financeiro possível, enquanto sindicato endurece discurso e mantém paralisação mesmo após avanço nas negociações
A Prefeitura de Novo Gama apresentou uma proposta de recomposição salarial de 14,21% aos professores da rede municipal e intensificou as negociações para encerrar a greve da categoria. Mesmo diante do avanço nas tratativas e do esforço financeiro anunciado pela administração, o Sindicato dos Professores de Novo Gama (SINPRO-NG) decidiu manter a paralisação, ampliando o impasse que vem afetando milhares de estudantes e famílias da cidade.
A proposta foi discutida em reunião realizada no gabinete do prefeito Carlos Alves dos Santos. Conforme documentos oficiais das negociações, a gestão municipal apresentou alternativas para incorporar gradualmente a complementação salarial ao vencimento-base dos profissionais da educação, atendendo uma das principais reivindicações da categoria.
Pela proposta da Prefeitura, os professores receberiam reajuste de 2,6% em novembro deste ano e mais 4,21% em dezembro. Segundo a administração, os índices somados aos reajustes já concedidos anteriormente alcançam os 14,21% solicitados pela categoria.
Durante as negociações, a equipe econômica alertou que o município já opera próximo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelos cálculos apresentados, a medida poderá elevar o índice para 57,9%, cenário que exige cautela para evitar desequilíbrio nas contas públicas e prejuízos a outros serviços essenciais.
Mesmo diante desse cenário, a Prefeitura decidiu ampliar as negociações e ainda propôs a criação de uma comissão para discutir a reformulação do Plano de Carreira do Magistério, envolvendo representantes da Secretaria Municipal de Educação, Conselho Municipal de Educação e sindicato da categoria.
O prefeito Carlos Alves dos Santos afirmou que a gestão tem buscado diálogo permanente e responsabilidade para construir uma solução possível dentro da realidade financeira do município.
“Estamos fazendo um esforço financeiro muito grande para atender a categoria dentro da realidade do município. A Prefeitura abriu diálogo, apresentou proposta concreta e continua disposta a construir entendimento. Nosso maior compromisso é com a valorização dos profissionais e também com os alunos, que não podem continuar sendo prejudicados pela paralisação”, declarou.
O chefe do Executivo também destacou que a administração não pode agir de forma irresponsável apenas para atender pressões políticas ou corporativas. “Sempre respeitamos os professores e reconhecemos a importância da educação. Mas precisamos agir com responsabilidade fiscal para não comprometer as contas públicas e os serviços essenciais da cidade”, completou.
O que diz o Sindicato
Apesar da nova proposta apresentada pela Prefeitura, o Sindicato dos Professores de Novo Gama decidiu manter a greve. Em nota divulgada nas redes sociais, a entidade afirmou que a paralisação continuará até que o Piso Salarial Nacional do Magistério seja pago integralmente aos profissionais da rede municipal.
Segundo o SINPRO-NG, a categoria cobra o cumprimento da Lei Federal nº 11.738/2008, que estabelece o piso nacional dos professores, além da legislação municipal aprovada durante a atual gestão. O sindicato argumenta que não aceitará medidas consideradas graduais para implementação do reajuste reivindicado pelos profissionais da educação.
A entidade também contestou os argumentos apresentados pela equipe econômica da Prefeitura sobre os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Conforme o sindicato, estudos técnicos elaborados pelo DIEESE apontariam que o município teria condições financeiras de cumprir integralmente o pagamento do piso salarial sem comprometer as contas públicas.
Em sua manifestação, o sindicato responsabilizou diretamente o prefeito Carlos Alves dos Santos pela continuidade da greve e pelos impactos provocados na rede municipal de ensino. A entidade afirma que a paralisação somente será encerrada após o atendimento integral das reivindicações da categoria.
Repercussão negativa da greve na população
A manutenção da greve após a apresentação da nova proposta passou a gerar críticas de parte da população, principalmente entre pais e responsáveis por alunos da rede municipal. Em redes sociais e grupos comunitários, moradores afirmam que o sindicato demonstra pouca sensibilidade com a realidade financeira enfrentada pelo município e estaria priorizando interesses corporativos em detrimento do direito dos estudantes à educação.
Moradores também lembram que Novo Gama passou vários anos sem enfrentar paralisações na educação e avaliam que a atual gestão vem demonstrando disposição para o diálogo, mesmo diante das limitações orçamentárias herdadas pelo município.
Parte da população cobra medidas mais firmes para garantir o retorno imediato das aulas, enquanto outros demonstram apoio às reivindicações dos professores e pedem maior sensibilidade por parte da gestão municipal.
Entre os comentários, há quem defenda a judicialização do caso. “Se sou o prefeito, encaminhava para o Fórum, para a Justiça decidir e aplicar multa diária. Prejudicando as crianças, 7 mil alunos sem aula”, escreveu um internauta. Outros sugerem soluções emergenciais, como a contratação de novos profissionais: “Contrata novos profissionais da Educação, porque não tem como as crianças ficarem sem aula há mais de um mês, isso é uma verdadeira vergonha”.
Por outro lado, também há manifestações que pedem equilíbrio e entendimento entre as partes. “Muito triste os professores não entrarem num acordo, estão passando só neles infelizmente”, comentou um morador. Outro reforçou o apelo por diálogo: “Carlinhos do Mangão e professores, entrem em um acordo aí. São as nossas crianças que estão sendo prejudicadas”.
A preocupação com os impactos no calendário escolar também aparece entre os relatos. “Dica importante: quem puder alfabetizar seus filhos em casa, boa coisa faz, porque pelo jeito não vão resolver tão cedo. Por fim, não teremos férias, cronograma será super corrido e por aí vai”, escreveu outro usuário.
Em contrapartida, há quem manifeste apoio aos professores e critique a postura da administração municipal. “O prefeito não cumpre o mínimo, que é o pagamento do piso salarial. Ainda quer parcelar esse direito até dezembro, o que é inaceitável. Seguimos sem auxílio alimentação e transporte. Não é falta de vontade de trabalhar, é falta de respeito com a educação!”, destacou uma publicação.
Nos bastidores da administração municipal, integrantes da equipe econômica avaliam que a proposta apresentada representa um dos maiores esforços financeiros já realizados pela Prefeitura na área educacional. A percepção dentro do governo é de que a gestão já chegou ao limite possível sem comprometer a estabilidade financeira da cidade, enquanto o sindicato segue resistindo às propostas sem apresentar alternativas viáveis para equilibrar as contas públicas e garantir a continuidade dos serviços.
