Câmeras de segurança da Sociedade Esportiva Palmeiras filmaram momento em que criança entrou no banheiro masculino
Fabio Menotti/ Palmeiras

Câmeras de segurança da sede social do Palmeiras, na zona oeste de São Paulo, flagraram o momento em que uma menina de 4 anos entrou no banheiro masculino onde teria sido abusada por um homem. Segundo o boletim de ocorrência, ela permaneceu no local por 15 segundos. A informação foi passada por seguranças do clube à Polícia Civil.
Um sócio do Palmeiras foi suspenso e é considerado suspeito de ter cometido o abuso sexual.
Imagens do clube são analisadas pela polícia, que busca compreender a dinâmica do crime – do sumiço temporário da criança ao passo a passo do suspeito de 74 anos. Em depoimento à Polícia Civil, a mãe da criança detalhou que o sócio apontado como principal suspeito era conhecido da família e frequentava o clube havia anos. O neto dele estuda na mesma escola que o irmão da menina e as crianças costumam participar das mesmas atividades.
Tentativas de aproximação
O depoimento da mulher também menciona que, em ocasiões passadas, o suspeito tentou se aproximar da menina de 4 anos. Ele sempre acompanhava o neto nas atividades esportivas no Clube Palmeiras. Contudo, conforme revelou a mãe da menina, a criança o ignorava por não gostar de conversar com pessoas as quais não tinha intimidade.
A mãe da vítima considerou que, no dia do episódio de abuso sexual, o sócio suspeito de cometer o abuso atraiu atenção da menina ao oferecer pipoca, conforme registrado no boletim de ocorrência.
Sócio afastado
Em nota (leia íntegra abaixo), o Palmeiras informou que abriu uma investigação interna para apurar a denúncia de abuso sexual registrada pela mãe da criança. Segundo o clube, a mulher procurou a administração da sede social para relatar o caso e recebeu acolhimento, assim como a filha. O Palmeiras também afirmou que as imagens do sistema de monitoramento foram separadas e colocadas à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.
O clube informou ainda que, após ser comunicada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou o afastamento imediato do associado apontado como suspeito de envolvimento no caso. De acordo com o Palmeiras, a suspensão tem caráter preventivo e permanecerá enquanto os fatos são apurados. A instituição afirmou que, caso a autoria ou participação do associado seja comprovada, ele poderá ser expulso do quadro social, além de estar sujeito às demais medidas cabíveis.
“Vovô colocou a mão lá”
O abuso sexual foi descoberto pela mãe da menina que notou uma secreção em sua região íntima, durante o banho da vítima, e a questionou o que teria ocorrido. A menina disse que “o vovô colocou a mão lá”.
Após o fato, a mulher voltou ao Clube Palmeiras buscando por ajuda.
Segundo o boletim de ocorrência, a criança pode ter sido abusada por volta das 16h30. Ela desapareceu por alguns instantes dentro do clube. Desesperada, a mãe começou a procurá-la e viu a menina retornando da direção do banheiro masculino. Inicialmente questionada pela mãe sobre onde estava, a criança respondeu que era um “segredo”. A mulher insistiu e a criança acabou relatando o que teria acontecido.
Naquele momento, no entanto, a mãe não compreendeu a gravidade da situação e acreditou que o relato pudesse ser fruto da imaginação infantil. Em seguida, deixou o local com os filhos.
Mas, durante o banho da filha, a mãe percebeu a presença de uma secreção na região íntima da criança, algo que, segundo ela, nunca havia acontecido antes. A mulher chamou, então, a irmã para conversar com a menina. Diante da tia, a criança voltou a relatar o episódio.
Nota do Palmeiras
“Na noite de quarta-feira (10/6), uma associada procurou a administração do Palmeiras para relatar um caso de abuso sexual cometido contra sua filha, possivelmente nas dependências do clube social.
Após acolher a mãe e a criança, que foi atendida por um médico do Palmeiras, a administração designou que um dos advogados do clube as acompanhasse até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
Paralelamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento da sede social. O material solicitado foi prontamente separado e enviado à polícia.
Assim que foi informada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis.
A identidade do suspeito está sendo preservada em respeito às normas legais e para a adequada condução das investigações realizadas pela autoridade competente.
A instituição segue inteiramente à disposição do Poder Judiciário para colaborar com esclarecimentos adicionais que entendam ser pertinentes para a apuração do caso.
O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente elucidados.”
Abuso da menina no Palmeiras
- A mãe de uma menina de 4 anos denunciou, nessa quarta-feira (10/6), o abuso sexual de sua filha por um frequentador da sede social do Palmeiras, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo.
- Segundo a mãe, a filha “desapareceu brevemente”, por volta das 16h30, reaparecendo instantes depois, como se tivesse saído do banheiro masculino.
- A mãe, então, perguntou à menina o que fazia naquela direção e a garota respondeu: “É segredo, é segredo”.
- O suposto abuso só foi notado mais tarde, quando a mulher dava banho na criança. Uma secreção foi vista na região íntima.
- Crime é investigado pela 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
