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ELEIÇÕES 2026 - Flávio Bolsonaro lança candidatura ao Planalto e aposta no legado do pai em discurso marcado por críticas a Lula e ao STF

Senador promete dar continuidade ao bolsonarismo, acena ao eleitorado feminino e faz críticas ao governo federal durante convenção do PL em São Paulo

Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL para oficializar sua candidatura à Presidência. — Foto: Reuters/Jean Carniel


Por Celso Alonso | BRASÍLIA | 25 de julho de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou neste sábado (25) sua candidatura à Presidência da República durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada em São Paulo. Em um discurso fortemente ancorado na imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar priorizou críticas ao presidente Luiz Inácio (PT), críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e promessas de endurecimento na área da segurança pública.

Embora tenha buscado apresentar uma imagem de maior moderação em relação ao pai, Flávio deixou claro que pretende dar continuidade ao projeto político iniciado em 2018. "Tenho sangue de Bolsonaro", afirmou ao prometer que, caso seja eleito, Jair Bolsonaro subirá com ele a rampa do Palácio do Planalto para a cerimônia de posse.

"Eles não vão nos intimidar, eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro. E sabe o que a gente vai fazer? O Brasil foi sequestrado e a gente vai libertar o nosso país desse cativeiro. Em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente", falou, no evento realizado no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo.

A estratégia mostra que a campanha pretende manter o ex-presidente, e maior lider político da direita como principal ativo eleitoral, mesmo diante das restrições judiciais impostas a Bolsonaro, que recentemente, por imposição de Alexandre de Moraes, está impedido de realizar manifestações públicas. Durante a convenção, foi exibido um vídeo produzido com recursos de inteligência artificial que simulava uma mensagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Preso e calado". Na gravação, o ex-presidente aparece afirmando que sua prisão não seria capaz de enfraquecer o apoio de seus seguidores e apresenta Flávio Bolsonaro como seu sucessor político.

"Garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança de milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam, de braços abertos, a pessoa que escolhi para me substituir. Sangue do meu sangue. Meu filho, Flávio", diz a peça, que reproduz o rosto e a voz de Jair Bolsonaro por meio de inteligência artificial.

Ao longo do discurso, Flávio classificou o governo Lula como responsável por uma suposta perda de liberdade no país e afirmou, afirmando que uma eventual reeleição do petista resultaria em restrições à liberdade de expressão nas redes sociais. Também criticou a possibilidade de Lula indicar novos ministros ao Supremo Tribunal Federal, associando essa hipótese ao ministro Alexandre de Moraes, um dos principais alvos do bolsonarismo.

"Vocês que estão me assistindo pelas redes sociais, se eu não for o presidente da República, vocês nunca mais poderão escrever com liberdade o que pensam nas redes sociais. Porque é isso que Lula vai fazer a partir do ano que vem. Ainda mais com a possibilidade de indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal. Imaginem ele indicando mais quatro Alexandre de Moraes, para onde esse país vai?", afirmou .

Outro eixo da convenção foi a tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, segmento em que pesquisas de opinião historicamente apontam maior resistência ao bolsonarismo. O evento contou com discursos da esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, e da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos), apontada como possível candidata a vice-presidente caso a aliança entre os partidos seja confirmada.

O senador foi chamado a discursar por sua esposa, Fernanda Bolsonaro, que fez uma breve fala na qual disse que o Brasil “não aguenta mais quatro anos de PT” e mencionou a alta de violência contra a mulher.

"Flávio está muito consciente dessa missão que ele asusumiu, e sabe exatamente o que fazer. Eu desejo do fundo do meu coração que todos nós possamos viver esse Brasil de prosperidade que ele tanto sonha em construir junto com todos nós. Como cirurgiã-dentista eu tbm sei o quanto é difícil empreender nesse país, com a quantidade de impostos que a gente tem, e como mãe eu sofro mais ainda. Eu não quero mais assistir a essas notícias de mulheres sendo violentadas e assassinadas todos os dias no nosso país, isso precisa acabar, ninguém aguenta mais qiuatro anos do PT", falou.

Esse aceno ao eleitorado feminino veio também com uma outra mulher: Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que dividiu a fala com ele, e é uma das cotadas para ser sua vice. A aliança, porém, dependeria do Republicanos embarcar em sua candidatura, o que ainda não foi definido.

"Nós, mães e mulheres, a gente não quer discurso vitimista, a gente quer bandido na cadeia, não é papel. É proteção, oportunidade, creche para poderem trabalhar. A mulher não é vítima de nada, é forte, e precisa que o Estado proteja. Chega dessa gastança, que tá levando todo mundo pro vermelho, endividado", falou Daniella.

As falas enfatizaram temas como segurança pública, proteção às mulheres, geração de empregos e ampliação da oferta de creches, numa tentativa de ampliar a agenda da campanha para além das pautas tradicionais da direita.

"A Michelle, que está em Brasília, e em especial meu pai, Jair Messias Bolsonaro. Deus queira que nunca vocês tenham um pai injustiçado como ele está sendo, vítima da maior farsa que esse país já testemunhou. Pai, você despertou, nessa nação, com sua verdade, com sua coragem e com a sua humildade. Você vai colocar essa faixa de presidente em mim, em nome de Jesus", falou, chorando

Na área da segurança, Flávio voltou a defender propostas de endurecimento penal, incluindo responsabilização criminal mais severa para adolescentes envolvidos em crimes graves e a adoção de castração química para condenados por estupro de crianças, tema que costuma gerar intenso debate entre especialistas em direito, constitucionalistas e entidades de direitos humanos sobre sua compatibilidade com a legislação brasileira e tratados internacionais.

"Trabalharemos para que um estuprador de 14 anos de idade seja responsabilizado e preso como adulto, para quem enfia o cacete em mulher fique preso, para quem estupra uma criança seja submetido a castração química", falou.

Com o lançamento oficial de sua candidatura, Flávio Bolsonaro inicia a corrida presidencial respaldado pelo capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo apoio consolidado do eleitorado conservador. A estratégia da campanha será ampliar esse apoio junto aos eleitores de centro, apresentando propostas voltadas para áreas como segurança pública, economia e geração de oportunidades. Embora as pesquisas iniciais indiquem pequena vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação é de que a campanha ainda está em seu estágio inicial e o crescimento do candidato ao longo do período eleitoral é evidente, impulsionado pela força do bolsonarismo e pelo início da campanha nas ruas.

A convenção reforçou que a estratégia do PL será nacionalizar o embate entre o bolsonarismo e o governo petista, mantendo Jair Bolsonaro como principal símbolo político da campanha, mesmo sem sua participação direta nas atividades eleitorais.

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