Reportagens apontam que autoridades norte-americanas pretendiam discutir o processo eleitoral brasileiro; governo interpretou a iniciativa como tentativa de interferência
Por Celso Alonso | BRASÍLIA | 25 de julho de 2026
O governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar a Brasília nos próximos dias. A informação foi publicada inicialmente pelo The Washington Post e confirmada neste sábado (25) pela agência Reuters, com base em autoridades brasileiras ouvidas sob condição de anonimato.
Segundo as reportagens, a delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto. O Departamento de Estado confirmou que ambos tinham uma viagem ao Brasil prevista em sua agenda, mas não informou oficialmente o objetivo da visita.
De acordo com o The Washington Post, a missão teria como finalidade discutir aspectos relacionados à integridade e à transparência do processo eleitoral brasileiro antes da eleição presidencial marcada para 4 de outubro de 2026.
Autoridades brasileiras consultadas pelos veículos de imprensa interpretaram a iniciativa como uma possível tentativa de interferência em assuntos internos do país. Até o momento, o governo dos Estados Unidos não divulgou detalhes sobre as reuniões previstas nem esclareceu quais atividades seriam desenvolvidas durante a visita.
Missão não era vinculada ao TSE
As reportagens destacam que a viagem dos representantes norte-americanos não se enquadrava em uma missão oficial de observação eleitoral reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No Brasil, observadores internacionais precisam cumprir requisitos estabelecidos pela Justiça Eleitoral, atuando de forma independente, imparcial e, normalmente, mediante convite ou credenciamento oficial.
Até o momento, não há registro de que Riley M. Barnes e Samuel Samson integrassem qualquer missão internacional de observação eleitoral autorizada pelo TSE.
Nem o governo brasileiro nem o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgaram informações adicionais sobre o episódio até a publicação desta reportagem.
