Justiça havia determinado entrega do remédio em 15 dias, mas decisão foi suspensa após recurso da Advocacia-Geral da União; família busca arrecadar R$ 38 mil para garantir a próxima dose
Por Celso Alonso | BRASÍLIA | 29 de julho de 2026
A família de uma adolescente de 13 anos, moradora de Jaraguá do Sul (SC), voltou a pedir ajuda para custear o tratamento contra um linfoma de Hodgkin após a suspensão judicial do fornecimento de um medicamento de alto custo. Segundo os familiares, são necessários R$ 38 mil até o dia 19 de agosto para garantir a próxima dose do remédio e evitar a interrupção do tratamento.
A jovem enfrenta a doença desde janeiro de 2025 e, conforme informado pela família, já foi submetida a três protocolos terapêuticos que não apresentaram os resultados esperados. Diante desse cenário, a médica responsável prescreveu o uso do brentuximabe, medicamento indicado para determinados casos da doença.
Inicialmente, a Justiça Federal determinou que a União fornecesse o medicamento no prazo de 15 dias. No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão, e um desembargador suspendeu a obrigação até novo julgamento, que ainda não tem data definida.
De acordo com a família, o medicamento foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2019 e um parecer técnico vinculado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) classificou o caso como urgente. Os familiares afirmam ainda que todas as exigências administrativas foram cumpridas antes da judicialização do pedido.
Enquanto aguardam uma nova análise do processo, os responsáveis pela adolescente trabalham na produção de novos laudos médicos para reforçar a necessidade do tratamento.
"Estamos reunindo novas provas e um relatório detalhado da hematologista mostrando que a vida dela depende dessa medicação. Mas esse processo leva tempo, e ela não pode esperar", afirmou a mãe da adolescente.
Diante da indefinição judicial, a família reativou uma campanha de arrecadação para custear a próxima aplicação do medicamento. Segundo os organizadores, a continuidade do tratamento depende da obtenção dos recursos dentro do prazo estabelecido pelos médicos.
O caso evidencia os desafios enfrentados por pacientes que recorrem ao Poder Judiciário para obter medicamentos de alto custo, especialmente quando há recursos apresentados pelas partes envolvidas e a decisão final permanece pendente.
