Senador supera dez adversários, confirma liderança apontada nas pesquisas e transforma trajetória popular em uma vitória histórica nas urnas mineiras
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais neste domingo (4), ainda no primeiro turno, em uma das vitórias mais expressivas das eleições de 2026. Com 55,34% dos votos, o parlamentar superou dez adversários e garantiu o comando do Palácio Tiradentes a partir de janeiro de 2027.
Com 94,16% das urnas apuradas, Cleitinho contabilizava 5.950.949 votos, enquanto o deputado federal Patrus Ananias (PT) aparecia em segundo lugar, com 26,20%, equivalente a 2.817.328 votos.
A vitória consolida uma trajetória política marcada pela ascensão rápida e por um discurso de forte conexão com o eleitorado popular.
“De verdureiro a governador”
Logo após a confirmação matemática da vitória, Cleitinho comemorou o resultado e resumiu a própria trajetória em uma frase que ganhou destaque nas redes sociais: “De verdureiro a governador.”
O senador agradeceu aos eleitores e atribuiu a conquista à população mineira e à sua fé.
Durante a campanha, Cleitinho também destacou que teria feito uma disputa sem utilização de recursos do fundo eleitoral e prometeu governar para todos os mineiros, independentemente da preferência manifestada nas urnas.
“Fizemos uma campanha limpa, sem atacar ninguém e sem gastar um centavo de fundo eleitoral. Percorremos Minas olhando no olho das pessoas e mostrando que é possível fazer política de um jeito diferente. Agora a eleição acabou. Vou governar para todos, para quem votou em mim e para quem não votou.”
Candidatura quase não saiu
A vitória ganha ainda mais dimensão diante das incertezas que marcaram a construção da candidatura.
Cleitinho chegou a avaliar a possibilidade de não disputar o Governo de Minas. O processo de definição também provocou tensão dentro do Republicanos, partido que inicialmente chegou a resistir à candidatura e depois recuou diante da pressão política e eleitoral em torno do nome do senador.
Além das questões partidárias, aliados apontaram fatores pessoais que contribuíram para o atraso na decisão. Entre eles estava a morte do irmão mais novo de Cleitinho e o receio de assumir o comando do Executivo estadual depois de construir sua carreira política fazendo críticas contundentes aos governantes.
Disputa com o campo bolsonarista
A candidatura também movimentou o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL e setores bolsonaristas pressionaram pela aproximação com Cleitinho, avaliando que sua candidatura poderia fortalecer o grupo político que apoia Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Diante da indefinição, entretanto, o PL lançou o empresário Flávio Roscoe como candidato ao governo mineiro.
Depois da oficialização das candidaturas, o cenário começou a mudar. Parte dos apoiadores de Bolsonaro passou a defender publicamente Cleitinho, enquanto políticos ligados ao campo conservador deixaram a candidatura de Roscoe e aderiram ao senador.
O movimento fortaleceu a campanha de Cleitinho e ampliou sua vantagem na reta final.
Liderança nas pesquisas virou vitória nas urnas
Cleitinho chegou ao dia da eleição como favorito. Desde que seu nome passou a ser considerado para a disputa pelo governo estadual, o senador apareceu na liderança dos principais levantamentos eleitorais.
No início da campanha, as pesquisas apontavam percentuais entre 30% e 40%. Na reta final, os números cresceram e os levantamentos divulgados antes da votação já indicavam uma possibilidade concreta de vitória no primeiro turno.
Datafolha e Real Time, divulgados no sábado (3), colocavam Cleitinho próximo dos 50% dos votos válidos, cenário que acabou se confirmando nas urnas.
Novo desafio a partir de janeiro
A partir de 6 de janeiro de 2027, Cleitinho deixará o Senado para assumir o Governo de Minas Gerais.
A vitória encerra uma campanha marcada por incertezas, amplia o espaço político do Republicanos no estado e coloca no comando do Executivo mineiro um político que construiu sua imagem pública longe das estruturas tradicionais da política.
Agora, o desafio será transformar o discurso de renovação apresentado durante a campanha em ações concretas para governar um dos estados mais populosos e politicamente relevantes do país.
