Família encontra dificuldades em tratamento e pede socorro

Rapaz que não anda e não fala após acidente utiliza sondas e família sente na pele as dificuldades de não ter o atendimento adequado

Jurana Lopes
Especial para o Jornal de Brasília


A crise na saúde pública do DF, que ganha mais um capítulo com a saída do secretário da pasta, João Batista de Sousa (leia mais em Política), também se evidencia com a falta de agentes comunitários e de insumos. Em Santa Maria, uma família sente na pele as dificuldades de não ter o atendimento adequado. O filho da dona de casa Ana Paula Porto, 42, tem paralisia cerebral e vive com duas sondas – uma para se alimentar e outra para urinar. Ela explica que o rapaz precisa trocar a sonda do estômago há mais de um ano, mas falta o material no Hospital Regional de Santa Maria. “Eles alegam que meu filho usa um tipo que está indisponível”, relata. 

O rapaz, Francisco Ítalo de Araújo, 19 anos, teve a saúde comprometida após um acidente de motocicleta. Ele sofreu um traumatismo crânio-encefálico e nunca mais se recuperou. A colisão ocorreu em 2012, no Piauí, onde a família vivia. Após quase um ano de internação, Ana Paula resolveu se mudar para o DF na esperança de conseguir interná-lo no Hospital Sarah Kubitschek, mas não conseguiu. O jovem perdeu os movimentos, não fala e vive em cima de uma cama. A mãe não pode trabalhar, pois precisa cuidar do filho doente. 

Ana Paula diz não enfrentar problemas ao obter a alimentação de Francisco nas farmácias. Entretanto, sempre que é necessário trocar a sonda da urina, é informada no Centro de Saúde 1 de que não há agentes comunitários suficientes. “Quem vem fazer a troca são duas enfermeiras que se solidarizaram com a história dele. Antes, tinha uma médica do posto e vinha atender o Ítalo aqui em casa com pena por causa da nossa situação. Mas ela saiu e não há uma frequência no atendimento dele”, explica.

Transporte

Ana Paula afirma que a família não tem carro e, quando aciona o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o transporte de Ítalo ao hospital, sempre recebe respostas negativas. Diante das dificuldades, ela encontra apoio em colegas da igreja, que doam fraldas e material para curativos.

A luta da dona de casa é pelo acompanhamento médico de Ítalo, principalmente nas especialidades de urologia – devido à infecção de urina – e fisioterapia por causa da perda dos movimentos. Ana Paula também está preocupada por não poder comprar um colchão especial para o jovem. “Por ficar deitado, está começando a criar escaras”, diz.

Versão oficial

Apesar das reclamações da mãe de Francisco Ítalo, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) esclareceu, por meio de nota, que o paciente recebe visita mensal de uma enfermeira e uma técnica de enfermagem para troca da sonda uretral. A última troca ocorreu na sexta-feira passada. Segundo a pasta, as duas profissionais são do Centro de Saúde 1 de Santa Maria, que compareceram à residência do paciente e orientaram a família a procurar o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), onde a troca da sonda nasogástrica será feita.

A secretaria informou ainda que a troca desta sonda ocorre a cada três meses, diferentemente da uretral, que é num período de um mês. “Para trocar a sonda nasogástrica, o paciente deve comparecer ao hospital- referência - neste caso o HRSM - para que um médico faça a troca. O procedimento na unidade é necessário, pois requer que seja feito antes um raio X para verificar o local exato de afixar a sonda”.

A direção do HRSM orientou que a mãe do paciente procure a emergência do hospital para que a troca seja feita na hora. Havendo dificuldade para locomoção, deve-se entrar em contato com o Samu para fazer a remoção até o hospital. Mas essa dificuldade também foi denunciada pela mãe.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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