Grávida perde bebê 30 min após ser liberada de hospital no DF; vídeo

Polícia Civil e Secretaria de Saúde investigam se houve negligência médica. Avó voltou com feto no colo para criticar atendimento dado em Ceilândia.


A Polícia Civil investiga se houve negligência médica no atendimento a uma mulher que perdeu o bebê 30 minutos após ser liberada de um hospital público no Distrito Federal na madrugada deste domingo (31). A jovem, de 20 anos, tinha cerca de cinco meses de gestação e procurou a regional de Ceilândia relatando dores. A médica teria se negado a fazer exames e apenas aplicado uma injeção. A Secretaria de Saúde informou que apura o ocorrido.

''Quando minha filha chegou em casa, reclamou de dores e falou: ‘mãe, minha vagina está esquentando, tem um negócio saindo’, Botei ela em pé para entrar no carro e voltarmos ao hospital. O bebê caiu de dentro dela, quebrou o braço, bateu a cabeça. Não teve nem como salvar, já estava morto"
Edna Maria Farias de Brito,
mãe da grávida que sofreu aborto

Um vídeo que circula em redes sociais mostra a mãe da grávida, Edna Maria Farias de Brito, retornando ao hospital por volta de 6h com o feto nos braços. A mulher passa mais de um minuto na recepção da unidade de saúde e nenhum funcionário a recebe. Ela chora, pede ajuda e reclama que havia acabado de sair com a filha de lá.

Vídeo disponível em:

Ao G1, Edna criticou o atendimento dado à filha. “Ela estava sentindo muita dor. Não fizeram exame nenhum, nenhum, nem ecografia, nem nada, nem toque. A médica só perguntou onde era a dor. O atendimento todo durou 15 minutos.”

“Quando minha filha chegou em casa, reclamou de dores e falou: ‘mãe, minha vagina está esquentando, tem um negócio saindo’. Botei ela em pé para entrar no carro e voltarmos ao hospital. O bebê caiu de dentro dela, quebrou o braço, bateu a cabeça. Não teve nem como salvar, já estava morto”, disse emocionada.

A família, que é de Águas Lindas (GO), voltou ao Hospital Regional de Ceilândia. Enquanto a filha era internada, Edna conta que tentou contato com a médica que atendeu a jovem inicialmente. O tempo de deslocamento entre a casa delas e a unidade é de 20 minutos.

“Voltei para perguntar à médica o motivo de ela não atender minha filha direito, o porquê de ter mandado minha filha para casa”, explica. “Eu me sinto humilhada. A médica já começou mentindo, ela ligou para a 15ª DP [delegacia da região] para dar a versão dela, dizendo que minha filha entrou com sinal de agressão, sendo que não existe, que não foi por isso, ela quis justificar que meu neto nasceu morto por causa de uma agressão que não existiu.”

Fachada do Hospital Regional de Ceilândia (Foto: TV Globo/Reprodução)

O G1 não conseguiu contato com a profissional. A Secretaria de Saúde disse que a Coordenação Regional de Ceilândia estava ouvindo a médica e buscava informações no prontuário para entender o ocorrido no início da tarde. O feto foi levado para o Instituto Médico Legal, onde passará por exames.

''Minha mãe chegou lá às 22h [de sábado], foi atendida, passaram um exame de urina para saber se a bolsa estava rompendo. A pressão dela estava muito alta, ela já teve pré-eclâmpsia. Com tudo isso que aconteceu, quando a avó voltou com o bebê, só desligaram as luzes da recepção e não atenderam mais ninguém. A médica foi embora. Minha mãe foi embora às 6h, oito horas depois, sem ter resultado do exame"
Anna Karolina Souza dos Santos,
empresária que testemunhou ocorrido

A empresária Anna Karolina Souza dos Santos conta que se sensibilizou ao ver a avó com o feto nos braços. Ela acompanhava a mãe, grávida de nove meses, que também foi atendida pela médica.

“Minha mãe chegou lá às 22h [de sábado], foi atendida, passaram um exame de urina para saber se a bolsa estava rompendo. A pressão dela estava muito alta, ela já teve pré-eclâmpsia. Com tudo isso que aconteceu, quando a avó voltou com o bebê, só desligaram as luzes da recepção e não atenderam mais ninguém. A médica foi embora. Minha mãe foi embora às 6h, oito horas depois, sem ter resultado do exame”, diz.

Anna Karolina também criticou o atendimento dado por outros funcionários da unidade e disse ver negligência médica. “Minha mãe está com medo de voltar ao hospital, está desesperada e já está sentindo contração.”

Exames
Edna Maria conta que não conseguiu contato com a filha depois do incidente. A jovem segue internada no Hospital Regional de Ceilândia.

De acordo com a mulher, a gravidez foi descoberta tardiamente. A filha dela ainda não tinha dado início ao pré-natal e faria na próxima semana uma ecografia para verificar o tempo exato de gestação.

“A médica falou que não podia examiná-la porque ela não tinha pré-natal, mas eu falei que esse era mais que motivo para fazer exame”, lembra. “Hoje foi meu neto que morreu, mas amanhã vai ser outro. Queria que eles [hospital] pagassem por tudo o que fizeram.”


Fonte G1/Distrito Federal

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