Everaldo fora da disputa

Seguindo o exemplo de alguns gestores de municípios do entorno, o prefeito de Novo Gama Everaldo Vidal (PP) declarou que não irá disputar a reeleição, informando que várias razões o fez tomar tal decisão. Eleito em 2012 com o jargão “Unidos pela mudança” e recebendo mais de 21 mil votos, Há época 41% dos votos válidos, Everaldo não conseguiu ver o seu governo decolar e há aproximadamente dois anos vem amargando uma crise política sem precedentes.
Mesmo com várias obras em andamento (mais de 100), sendo que muitas delas já concluídas ou em fase de conclusão, bem como o avanço na saúde, sendo considerada uma das melhores do entorno sul, chegando a suprir o atendimento do DF, entre outras, o governo teve a decepção de não conseguir avançar politicamente.
Acreditam muitos que o fato de Everaldo não ter formado uma assessoria forte e experiente politicamente, o seu governo não conseguiu aparecer aos olhos da população.
Desde os primeiros meses de governo, a equipe de Everaldo começou a perder força e desmanchar. Pessoas antes tidas como importantes começaram a formar blocos independentes e sonhar com voos maiores, fazendo oposição ao governo. Mesmo assim, a equipe política não conseguiu juntar o quebra-cabeça e assim, aos poucos o governo foi perdendo as forças.
Apenas os aliados mais próximos permaneceram ao lado de Everaldo, muitos deles, trazidos nos braços pelo mandatário, mesmo não demonstrando as mínimas habilidades políticas. Todavia, generoso e cumprindo a palavra, Everaldo insistiu e viu seu projeto afundar sem poder fazer nada.
Para completar, recentemente o TCM julgou improcedente e sugeriu a reprovação das contas de Everaldo, tornando-o, mesmo que momentaneamente, inelegível. É claro que isso não seria impedimento para o governo, uma vez que não era ação transitada em julgado. Todavia, a rejeição do governo que ultrapassa os 70%, tornou impossível investir num projeto de reeleição.

Falsos aliados
De acordo com alguns assessores, outro fator marcante foi os vários “falsos aliados” que estiveram próximos ao governo somente “nos tempos das vacas gordas”. “Enquanto tinham benefícios eles estavam próximos e quando veio o arrocho, todos correram e nos abandonaram”, disse um assessor que preferiu não se identificar.
A maior derrota de Everaldo, segundo assessores, foi o fato de o mandatário ter cumprido acordos, entre os quais, ajudado a eleger o atual presidente da Câmara de Vereadores. De acordo com eles, o acordo não foi cumprido, passado o processo de eleição da nova mesa diretora da câmara. “O poder subiu a cabeça e esse virou as costas para o governo, tornando-se opositor e se lançando candidato ao governo”, resumiu.
Para algumas lideranças políticas locais, os maiores erros de Everaldo foram o de “não estar junto ao povo”, bem como manter opositores no governo. “Ele pecou muito, pois elegemos um governo democrático e popular. Essa foi à proposta. Porém, ao tomar posse ele se trancou no gabinete e não conseguimos mais falar”, disse uma liderança.
“Ele (Everaldo) também pecou em manter ao seu lado pessoas que mais tarde iriam traí-lo. Ele deixou de atender aos aliados que queimaram o rosto no sol em prol da mudança e trouxe pessoas que não tinham a mínima afinidade com o governo. Quando essas pessoas o traíram, ele se fez de omisso e ainda manteve cargos e benefícios desses. Aí a política não funciona”, explicou o líder.
O grupo político de Everaldo afirma que se houvesse o desejo da reeleição, iria para as ruas tentar um novo mandato. “Não existe nada que o impeça de entrar nesta disputa, ele é ficha-limpa, está no primeiro mandato e tem um grupo político forte e unido. No entanto, Everaldo jogou a toalha, parece ter se decepcionado com experiência de ser prefeito e não suportaria passar mais quatro anos a frente da Prefeitura de Novo Gama”, explicou outra liderança política.
Everaldo quer voltar para sua vida simples, dedicar mais tempo a família, aos seus negócios e deixar a política e administração pública para o sucessor. Todavia, não esconde a vontade de, após reflexão e descanso, voltar à vida pública, quem sabe daqui dois anos, concorrendo a uma vaga na Assembleia Legislativa do estado.
Em vista dessa situação, o grupo de Everaldo já procura alternativas para substituir o prefeito na disputa pela prefeitura neste ano. Vários nomes estão na pauta, inclusive os da oposição. Parte já migrou para o grupo de Alan do Sacolão (PRB), enquanto a outra parte desembarcou no ninho tucano liderado por Sônia Chaves (PSDB).





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