Polícia Civil do DF investiga diretor da Agepol por suposta homofobia

Autor da denúncia Conselho de Direitos Humanos pede que gestor não concorra à reeleição no clube. Vítima pediu abertura de sindicância; Agepol diz que vai apurar caso.

Por Luiza Garonce, G1 DF

Fachada da Delegacia de Repressão aos Crimes de Intolerância do DF (Foto: GDF/Divulgação)
A Polícia Civil do Distrito Federal passou a investigar, nesta semana, a conduta de um diretor da Associação Geral dos Servidores da Polícia Civil do DF (Agepol) acusado de homofobia. Segundo denúncia feita pelo Conselho de Direitos Humanos, ele protagonizou um ataque preconceituoso a dois jovens dentro do clube da instituição, na semana passada. O caso foi registrado em vídeo.

Uma das vítima é sócia do clube e contou ao G1 que percebeu a conduta do diretor logo após abraçar o colega, quando se despedia para ir embora. Segundo o jovem, o diretor os encarou por algum tempo, foi ao banheiro e, na volta, abordou a dupla. Nas imagens, o homem pede que os amigos deixem o local e diz que "viadagem é do portão pra fora".

O jovem solicitou à Agepol a instauração de uma sindicância para investigar a conduta do servidor. O presidente da institução, Francisco de Souza, informou ao G1 que vai abrir o procedimento, mas disse que o desentimento foi "provocado" pelos rapazes. A reportagem não conseguiu contato com o diretor.

"O diretor recebeu a denúncia de que o casal não estava numa situação favorável para estar em área de uso público", disse. "O jovem agrediu perguntando se ele [o servidor] não gosta de 'viadagem'. Acho que o termo não é pra uma pessoa que respeita os bons costumes."

"Foi uma situação provocada."

Vídeo mostra diretor do clube Agepol, em Brasília, ofender jovem por ser homossexual
Na delegacia

Em documento enviado à Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin), o Conselho de Direitos Humanos argumenta que "a manifestação do denunciante extrapola o limite do bom senso e demonstra comportamento discriminatório".

Segundo o órgão, a atitude do diretor da Agepol é "orientada pelo pressuposto heterossexual que desrespeita o direito constitucional da sexualidade democrática".

"Mantém o tratamento subalterno dado, usualmente, aos homossexuais que, pelo referido modelo, 'devem' sujeitar-se a outros padrões sociais que implicam na 'invisibilidade' de padrões não hegemônicos."

'Respeito e confiança'

A Agepol também foi acionada pelo Conselho de Direitos Humanos nesta terça para que o diretor, que ocupa cargo adjunto no setor de Representações Seccionais, seja impossibilitado de concorrer às eleições da associação, previstas para esta quarta (25).

O servidor é candidato pela Chapa 1, cujo lema é "Respeito e confiança", aponta o site da Agepol. Segundo o presidente do conselho, Michel Platini, esses valores não correspondem à atitude do servidor.

"Os reais significados de respeito e confiança trazem à tona tamanha contradição entre a perspectiva do clube relacionada à diversidade existente na sociedade e o ocorrido", disse em nota.

No pedido de impugnação da candidatura, o conselho cita regras previstas no Estatuto Social da Agepol e a Lei Distrital nº 2.615 de 2000, que define como discriminação por orientação sexual a "proibição de ingresso ou permanência", qualquer situação que gere "constrangimento ou exposição ao ridículo" ou a prática de "atos de coação, ameaça ou violência".

O presidente da Agepol informou ao G1 que o pedido será encaminhado à Comissão Eleitoral, que será responsável pela analisar e decisão sobre o caso.


Fonte - G1/Distrito Federal

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