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Professor é demitido após criticar aluno que vende coco em praia do ES

Professor escrever no quadro da escola que aluno deveria “se esforçar um pouco mais nos estudo para ter emprego melhor”


Reprodução

Um professor de matemática foi demitido de uma escola no Espírito Santo após escrever um comentário no quadro da sala de aula sobre um estudante adolescente, de 16 anos, que vende água de coco no calçadão da cidade para ajudar a família. O caso aconteceu em uma escola estadual da Região de São Pedro.

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) confirmou a demissão do profissional nessa segunda-feira (18/3). O adolescente foi aluno da escola até fevereiro deste ano, mas passou a estudar em outro colégio há cerca de três semanas.

Por meio das redes sociais, a mãe do estudante disse que o professor viu o adolescente ajudando a família na Praia de Camburi na última quinta-feira (14/3) e, no dia seguinte, o homem escreveu a crítica.

“Será que é melhor ir para o calçadão de Jardim Camburi vender água de coco ou se esforçar um pouco mais nos estudos para ter um emprego melhor”, dizia o texto.

Após ser demitido, ele publicou um texto por meio das redes sociais Reprodução/Facebook

Professor escreveu mensagem sobre aluno no quadro da sala de aula Reprodução

Amigos do adolescente, que estavam na sala, tiraram foto do quadro e enviaram para a família do jovem. A mãe, quando soube do que tinha acontecido, postou um vídeo desabafando nas redes sociais. A postagem repercutiu.

“Trabalho há três, quatro anos vendendo água de coco. É através da água de coco que eu levo sustento para a minha família, que eu pago as minhas contas e meu aluguel. Infelizmente, hoje eu fui surpreendida juntamente com meu filho. Ele estudou na escola e o professor teve uma fala infeliz. Ele viu meu filho trabalhando juntamente comigo e aí expôs meu filho, colocando no quadro essa reflexão”, disse a mulher no Instagram.

De acordo com a vendedora ambulante, o filho ficou triste quando viu a foto com o recado no quadro. Segundo ela, a família se sentiu ofendida e a ação foi “humilhante”.

Em nota, a Superintendência Regional de Educação informou que acompanha o caso e que não concorda com a postura do profissional.

Segundo a Sedu, o professor teve seu contrato cessado. Além disso, informou que a mãe do aluno está sendo apoiada para buscar seus direitos junto às autoridades, por meio de Boletim de Ocorrência.

Professor faz “breve reflexão”

Também por meio das redes sociais, o professor Marcos Lengrub compartilhou uma mensagem sobre o ocorrido.

“Todas as pessoas que me conhecem sabem que sou um professor que trabalha com profissionalismo e ética, acreditando que a educação é primordial para que o ser humano possa transformar a sua realidade e modificar o seu destino”, escreveu.

“Infelizmente, na última semana, mais precisamente na sexta-feira, resolvi fazer uma breve reflexão em sala de aula sobre a importância da educação e da sua relação com o trabalho na idade escolar. De acordo com as leis vigentes, os adolescentes devem frequentar a escola até os 17 anos. Eu trabalho justamente com a faixa etária de 14 a 17 anos de idade e, por isso, entendo que a todos estes jovens deve ser assegurado o direito à educação, e que é na escola onde todos devem estar, nessa faixa etária. A reflexão que eu propus nesta aula foi essencialmente sobre isso”, escreveu.

O professor continuou a mensagem falando sobre a relação entre educação e trabalho.

“Falamos sobre a necessidade que muitos têm em relação ao trabalho, e que, qualquer seja ele, sendo realizado de forma honesta, seja em uma praia ou em uma feira livre como vendedor, não tenho e jamais terei qualquer tipo de discriminação e/ou preconceito, afinal, eu já estive nesse lugar. O que desejei destacar foi o quanto a educação escolar é essencial nesta fase da formação humana. O meu intuito sempre foi conscientizar nossos adolescentes-estudantes de que, por mais difícil que seja a realidade, por mais árduo que seja, por mais desigualdade que exista, a educação é o caminho para a transformação da nossa realidade”.

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