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Senador aliado de Lula compra fazenda de R$ 15 milhões e multiplica patrimônio

Aquisição de fazenda por aliado do governo Lula levanta questionamentos sobre origem de renda e vínculos suspeitos

Por Celso Alonso

Foto - Reprodução

O mais recente escândalo envolvendo aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha força com a recente revelação da compra de uma fazenda avaliada em R$ 15 milhões pelo Weverton Rocha (PDT–MA), vice-líder do governo no Senado e relator da indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A transação coloca em xeque a coerência entre patrimônio declarado e bens adquiridos, alimentando suspeitas sobre possível enriquecimento incompatível e relações com agentes já investigados por crimes graves. 

O que se sabe sobre a aquisição

Em setembro de 2024, Weverton formalizou, por meio da empresa DJ Agropecuária, Comércio e Prestação de Serviços Ltda — da qual é sócio — a compra de 837 hectares por R$ 7 milhões. O pagamento, segundo a escritura, foi feito via transferência bancária, e o registro incluiu o pagamento de ITBI de R$ 140 mil. 

A propriedade, no município de Matões do Norte, interior do Maranhão, possui um casarão de dois andares, um igarapé e uma área equivalente a cerca de 2 mil campos de futebol. Logo após a aquisição, o senador mandou construir, ao lado da fazenda, uma pista de pouso particular. A evolução patrimonial supera em mais de 250% o valor declarado por ele em 2022, quando informou possuir R$ 4,2 milhões. 

A DJ Agropecuária, empresa que formalizou a compra, tem capital social de apenas R$ 10 mil, dividido entre Weverton (20%) e uma holding familiar (80%). Formalmente, a empresa é administrada por Rodrigo Martins Correa, contador de 40 anos que já atuou como responsável por empresas ligadas ao Antonio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS”. Esse nome aparece em investigações sobre esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. 

A magnitude do bem adquirido por Weverton — avaliado em R$ 15 milhões — supera, por exemplo, o orçamento anual de saúde (2024) do próprio município de Matões do Norte, que foi cerca de R$ 13,8 milhões. 

Por que há suspeitas sobre práticas criminosas

O caso levanta várias interrogações legítimas que dialogam com princípios de transparência, controle e legalidade:

A discrepância entre o patrimônio declarado e os bens adquiridos: a fazenda sozinha é mais que o triplo do valor declarado em 2022, o que desperta dúvidas sobre a origem dos recursos.

Uso de empresa de capital simbólico para a compra: a DJ Agropecuária, com capital social de apenas R$ 10 mil, aparece como meio de aquisição de um imóvel milionário — prática comum em esquemas de ocultação patrimonial ou lavagem de dinheiro.

Relação societária com empresário já investigado: a presença de Rodrigo Martins Correa — alguém ligado a um operador suspeito de fraudes previdenciárias — na administração da empresa usada na compra acende alertas sobre eventual intermediação de recursos ilícitos.

Infraestrutura de luxo em propriedade rural: construção de pista de pouso particular, casario amplo e área rural vasta para um quadro que, segundo declarações oficiais, não inclui aeronaves — algo atípico e compatível com uso para objetivos fora do perfil de uma fazenda comum.

Especialistas em transparência e combate à corrupção afirmam que essas circunstâncias, combinadas, configuram indícios que deveriam ser investigados por autoridades competentes.

Em nota, o senador declarou que “todas as minhas atividades econômicas e empresariais estão, e estarão, devidamente declaradas nas minhas declarações anuais de renda ou das empresas das quais faço parte, dentro da lógica financeira e legalidade fiscal”. 

No entanto, a declaração pública não dissipa os questionamentos sobre a discrepância patrimonial e as ligações societárias com agentes suspeitos — especialmente em um contexto em que o uso de aeronaves e bens de alto valor por representantes públicos requer maior grau de clareza e rastreabilidade.

O episódio de enriquecimento atípico por parte de um parlamentar que ocupa posição de destaque no governo e no Senado não é apenas um “escândalo de estimação”: ele expõe fragilidades estruturais no sistema de controle patrimonial e accountability no Brasil. Em um país marcado por histórico de corrupção, o caso simboliza como patrimônio elevado e vínculos obscuros podem conviver com declarações oficiais de “legalidade” — potencialmente mascarando irregularidades.

Além disso, em um momento em que o governo de Lula tem sido alvo de críticas por alegadas práticas clientelistas e de favorecimento a aliados, a aquisição de patrimônio dessa proporção por um aliado político central alimenta desconfianças sobre possível uso de influência, recursos opacos ou cooptção de benefícios indevidos.

Este episódio envolvendo Weverton Rocha — figura influente no Senado e no governo — representa, no mínimo, uma dúvida plausível sobre a compatibilidade entre patrimônio declarado e bens adquiridos, o que distancia o caso da política tradicional de disputa por poder e aproxima da seara de eventuais crimes financeiros.



Principais elementos que alimentam as suspeitas

  • A valorização da propriedade rural, e a compra de imóvel urbano, resultam em um patrimônio muito superior ao informado em 2022 — diferença de mais de 250 %. 
  • A aquisição foi realizada via empresa com capital social simbólico, a DJ Agropecuária, o que fuga do padrão de aquisições diretas por pessoa física. 
  • A construção de uma pista de pouso privada na fazenda, combinada com relatos de uso frequente de jatinhos — inclusive de terceiros ligados a investigados em esquemas de fraude — levanta dúvidas sobre finalidade real e transparência da operação. 
  • O valor da fazenda ultrapassa o orçamento de saúde (2024) do município onde está localizada, o que salienta desproporção entre os padrões de riqueza do parlamentar e do contexto socioeconômico local. 

Perguntas e lacunas que permanecem — e que demandam apuração

  • Origem dos recursos — como os recursos para a compra da fazenda e do apartamento foram obtidos? Salário parlamentar, rendas de empresa ou outras atividades declaradas são compatíveis com esse crescimento patrimonial?
  • Função da pista de pouso — por que construir uma pista privada, se o senador não declara aeronaves? A quem pertence, de fato, o uso dos jatinhos que aterrissam lá?
  • Transparência societária — por que utilizar empresa com capital simbólico para transação imobiliária dessa magnitude? Há indícios de uso de “laranjas” ou de estrutura societária opaca?
  • Cronologia dos pagamentos e escritura — quando será concluída a escriturização total da fazenda? Há parcelas pendentes? Qual o valor real final pago pelo imóvel?
  • Relação com pessoas investigadas — há vínculos com indivíduos já investigados por fraude ou lavagem de dinheiro (como o suposto lobista citado pela imprensa). Isso demanda apuração sobre possíveis conexões entre patrimônio e ilícitos.

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