Imóvel foi retirado 11 dias após a morte; caso é tratado como suspeito
Reprodução/Internet e Arquivo Pessoal.

O apartamento do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, localizado no bairro do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, foi completamente esvaziado 11 dias após a morte dele.
A informação, divulgada pelo escritor Ulisses Campbell, foi relatada por uma sobrinha do médico, que afirma que o imóvel teve todos os bens retirados antes mesmo da abertura oficial do inventário.
Miguel, que era tio de Suzane von Richthofen, foi encontrado morto dentro do próprio apartamento no início de janeiro.
Itens desapareceram
Segundo a parente, no dia 20, móveis, eletrodomésticos e até o veículo do médico desapareceram do local. O carro, um Subaru praticamente novo, teria valor estimado em R$ 256 mil. Ela afirma ainda que parte dos itens levados não pertencia ao médico, mas a ela própria.
A sobrinha relata que procurou a 27ª Delegacia de Polícia, no Campo Belo, para registrar a ocorrência, mas foi orientada a retornar no dia seguinte. Durante o atendimento, diz ter ouvido de um policial que um familiar não identificado poderia ter retirado os bens utilizando um caminhão.
Mesmo assim, ela afirma ter comunicado que o apartamento havia sido acessado e esvaziado antes de qualquer definição judicial sobre a partilha do patrimônio.
O atestado de óbito aponta causa indeterminada e prevê a realização de exames complementares. A Polícia Civil classificou o caso como morte suspeita e segue apurando as circunstâncias do falecimento.
Vizinho localizou o corpo
Miguel foi encontrado sentado em uma poltrona, já sem sinais de vida, por um vizinho que possuía a chave do imóvel. Estranhando a ausência prolongada do médico, ele entrou no apartamento e localizou o corpo. Desde então, o vizinho passou a ser procurado por parentes que buscavam acesso ao local, mas se recusou a entregar a chave sem autorização judicial.
O médico foi sepultado em Pirassununga, no interior paulista. Sem pais vivos, cônjuge, filhos ou irmãos, o falecimento abriu uma disputa entre parentes colaterais. Levantamentos em cartórios confirmaram que ele não deixou testamento, o que, pelas regras legais, inclui Suzane na linha sucessória, salvo decisão judicial em contrário.
Anos atrás, o próprio Miguel havia recorrido à Justiça para impedir que a sobrinha herdasse os bens dos pais, obtendo o reconhecimento da indignidade naquele processo. Agora, com a morte dele, a ausência de testamento e o esvaziamento do apartamento após o óbito, a disputa patrimonial tem início sob questionamentos, enquanto a polícia investiga a morte e a Justiça organiza os próximos passos da sucessão.
