Após mais uma decisão controversa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Complexo Penitenciário da Papuda, o presidente petista Luiz Inácio resolveu romper o silêncio, não para defender garantias constitucionais ou o devido processo legal, mas para atacar politicamente seu principal adversário.
Durante evento no Rio de Janeiro, Luiz Inácio evitou qualquer menção crítica ao papel do STF ou ao caráter excepcional da medida imposta a Bolsonaro. Em vez disso, preferiu desviar o foco e usar o discurso para tentar desqualificar a força popular do ex-presidente, recorrendo a ataques às redes sociais e à comunicação direta com milhões de brasileiros.
Ao comparar influenciadores digitais com professores e profissionais da educação, Luiz Inácio insinuou que apenas conteúdos “vazios” ou “bobagens” alcançam grande audiência. Na sequência, citou Bolsonaro como exemplo, numa fala carregada de desprezo não apenas ao ex-presidente, mas também aos mais de 30 milhões de cidadãos que o acompanham e se identificam com suas ideias.
A tentativa de reduzir o bolsonarismo a um fenômeno superficial ignora deliberadamente a realidade política do país. Bolsonaro não se tornou a principal liderança da direita brasileira por acaso, mas por vocalizar pautas que incomodam o establishment político, a velha imprensa e setores do Judiciário que passaram a atuar de forma cada vez mais política e menos técnica.
A decisão do STF de transferir Bolsonaro para a Papuda, sem transparência adequada e sob forte contestação jurídica, reforça a percepção de que a Corte abandonou o papel de guardiã da Constituição para assumir protagonismo político. Medidas excepcionais, restrições desproporcionais e a concentração de poderes em poucos ministros alimentam críticas crescentes sobre abusos de autoridade e erosão das liberdades individuais.
O silêncio cúmplice de Luiz Inácio diante dessas práticas contrasta com sua disposição em atacar Bolsonaro publicamente. Ao invés de defender o Estado Democrático de Direito, o presidente petista parece confortável com um Judiciário que atua seletivamente, sobretudo quando as decisões atingem adversários políticos.
Mesmo sob cerco institucional, Bolsonaro segue como a maior liderança de oposição do país. Sua relevância não depende de cargos, nem da aprovação do sistema, mas de uma base popular sólida que enxerga no ex-presidente alguém disposto a enfrentar excessos, denunciar distorções e resistir à criminalização da divergência política.
Ao mencionar Bolsonaro em tom depreciativo, Luiz Inácio apenas confirma o óbvio: o ex-presidente continua sendo o centro do debate político nacional e o principal obstáculo a um projeto de poder que se sustenta cada vez mais em decisões judiciais questionáveis do STF e cada vez menos no apoio espontâneo da população.
