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DF: rede pública tem estoque de 10 mil unidades de novo contraceptivo

Contraceptivo de longa duração é oferecido gratuitamente na rede pública; aplicação segue critérios de prioridade definidos pela SES-DF


celsopupo/Getty Images

O Implanon, um dos métodos contraceptivos mais eficazes para prevenir gravidez não planejada, está disponível gratuitamente na rede pública de saúde do Distrito Federal desde 2025. Apesar disso, dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mostram que a capital federal dispõe de mais de 10 mil unidades em estoque para aplicação gratuita nas unidades públicas.

O implante subdérmico é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele do braço, que libera hormônio continuamente e impede a ovulação. Com eficácia superior a 99% e duração de até três anos, o método é considerado um dos mais seguros disponíveis atualmente. Na rede privada, o custo varia entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

A oferta começou neste ano, após a rede pública do DF receber 10.095 unidades do dispositivo em dezembro de 2025. A remessa integra a distribuição de 500 mil unidades feita pelo Ministério da Saúde a municípios com mais de 50 mil habitantes.

Embora o Ministério da Saúde recomende que o método seja disponibilizado para mulheres de 14 a 49 anos, cabe às secretarias estaduais e municipais definir o público-alvo.

No Distrito Federal, a SES-DF estabeleceu critérios de prioridade voltados a grupos em situação de maior vulnerabilidade social ou com necessidades clínicas específicas.

Entre os públicos contemplados, estão:
  • Adolescentes (14 a 19 anos), com ou sem antecedentes obstétricos;
  • Usuárias de Talidomida ou parceiras estáveis de usuários do medicamento, quando indicado;
  • Mulheres com tuberculose multidroga resistente em uso de aminoglicosídeos;
  • Puérperas de alto risco com comorbidades graves que contraindiquem nova gestação;
  • Vítimas de violência doméstica encaminhadas por serviços como o Núcleo de Prevenção e Assistência a Situações de Violência (NUPAV) e casas de acolhimento;
  • Mulheres privadas de liberdade e adolescentes em medida socioeducativa;
  • Vítimas de violência sexual atendidas no Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF (PIGL-DF);
  • Moradoras de áreas rurais;
  • Mulheres com deficiência que não desejem gestar ou cuja condição contraindique a gestação;
  • Indígenas, imigrantes, refugiadas e apátridas;
  • Profissionais do sexo;
  • Mulheres com endometriose profunda;
  • Homens trans.

Em 10 de fevereiro, a SES-DF informou ao Metrópoles que haviam sido realizados 57 procedimentos. Dois dias depois, em 12 de fevereiro, o número subiu para 102 inserções, aumento de 45 procedimentos no período.

Questionada sobre uma possível baixa procura pelo método, a SES-DF afirmou que o número de procedimentos realizados até o momento faz parte de um “processo de implementação estratégico, planejado e controlado”.

Segundo a pasta, por se tratar de um método recém-incorporado à rede pública, a capacitação técnica de médicos e enfermeiros é etapa fundamental para garantir a segurança das pacientes e a eficácia do procedimento.

A ampliação do acesso, de acordo com a secretaria, ocorrerá de forma gradual, à medida que mais equipes da Atenção Primária à Saúde forem qualificadas e novos lotes forem enviados pelo Ministério da Saúde.

Até o fim de 2026, a previsão do Ministério da Saúde é distribuir mais de 1,3 milhão de implantes, totalizando 1,8 milhão de unidades entregues. A próxima remessa deve priorizar municípios com menos de 50 mil habitantes.

A definição de critérios de prioridade também foi apontada como medida de equidade. Em nota, a SES-DF ressaltou que o estoque inicial é “reduzido frente a uma população de aproximadamente 500 mil mulheres em idade fértil no Distrito Federal”.

Sobre a validade dos implantes — cujo eventual vencimento poderia gerar prejuízo estimado de aproximadamente R$ 40 milhões — a secretaria informou que as unidades recebidas têm prazo até 2030 e que não há “preocupação com vencimento ou perda de estoque a curto e médio prazo”.

Como ter acesso

Quem se enquadra nos critérios deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. O fluxo inclui consulta com médico ou enfermeiro para avaliação do histórico clínico e verificação de contraindicações. Não havendo impedimentos, a inserção pode ser feita na própria unidade.
Após três anos, o implante deve ser retirado. Caso haja interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS. Segundo a SES-DF, a fertilidade retorna rapidamente após a remoção.

Além de evitar gravidez não planejada, a ampliação do acesso a contraceptivos integra a estratégia do Ministério da Saúde para reduzir a mortalidade materna, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A meta é diminuir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% entre mulheres negras até 2027.

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