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Enredo milionário e articulação política: atuação de Luiz Inácio e Janja em desfile da Acadêmicos de Niterói levanta suspeitas eleitorais

Verba pública, reuniões no Planalto e enredo político colocam Carnaval no centro de suspeitas de uso eleitoral da máquina pública

Instagram Acadêmicos de Niterói / Reprodução


Por Celso Alonso

O desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo explicitamente favorável ao presidente Luiz Inácio da Silva, extrapolou o campo cultural e passou a levantar questionamentos sobre o uso da máquina pública para promoção política. Com custo total de R$ 9,6 milhões, o projeto contou com recursos de diferentes esferas de governo e com participação ativa de integrantes do alto escalão federal, o que, segundo especialistas ouvidos nos bastidores, pode caracterizar infração à legislação eleitoral.

O envolvimento do governo federal não se limitou ao financiamento. A primeira-dama Janja da Silva esteve presencialmente na quadra da escola em ao menos duas ocasiões, utilizando estrutura oficial custeada com recursos públicos. Em uma dessas visitas, foi acompanhada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que dedicou sua agenda institucional a acompanhar ensaios da agremiação às vésperas do Carnaval.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Janja, Anielle e dirigentes da escola fazendo o gesto político conhecido como “L”, símbolo amplamente associado ao presidente. As imagens foram publicadas em perfis oficiais utilizados para divulgação de ações governamentais, reforçando a percepção de mistura entre promoção política e atividade institucional.

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Reuniões no Planalto reforçam elo entre governo e escola

A relação entre o Palácio do Planalto e a Acadêmicos de Niterói também se consolidou fora da avenida. Registros oficiais apontam que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi recebido em pelo menos duas oportunidades no Palácio do Planalto, em reuniões com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

As agendas chamam atenção porque a pasta comandada por Gleisi não possui atribuições ligadas à cultura ou ao Carnaval. Além dela, participaram dos encontros parlamentares aliados do governo, responsáveis por articulações políticas e liberação de emendas, o que amplia o debate sobre a real natureza dessas reuniões.

Parte significativa do financiamento veio de órgãos diretamente ligados ao governo federal. A Embratur destinou R$ 1 milhão ao desfile, valor idêntico ao repassado às demais escolas do Grupo Especial. Já o governo do Estado do Rio de Janeiro contribuiu com R$ 2,5 milhões por meio de contrato com a Liesa, enquanto a Prefeitura de Niterói aportou R$ 4 milhões. A Riotur completou o montante com R$ 2,15 milhões.

O enredo, intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, teve caráter declaradamente elogioso ao presidente e à sua trajetória política. Mesmo com o investimento elevado e o apoio institucional, a escola obteve a menor pontuação do Grupo Especial e acabou rebaixada.

Embora ainda não exista decisão judicial sobre o caso, juristas avaliam que o conjunto de ações, financiamento público, uso de agendas oficiais, presença de autoridades em atos simbólicos de promoção política e reuniões no Planalto, pode configurar uso indevido da máquina pública e propaganda eleitoral antecipada, a depender da análise dos órgãos de controle.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre cultura, política e Estado, especialmente quando recursos públicos e cargos institucionais são utilizados em iniciativas com forte conteúdo de exaltação pessoal e partidária.

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