Escolhas estratégicas devem separar mandatos garantidos de quatro anos fora do jogo político
Por Celso Alonso
O cenário eleitoral para a Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026 começa a se desenhar com maior nitidez e já deixa um alerta claro aos pré-candidatos: mais do que popularidade, histórico eleitoral ou presença nas redes sociais, a decisão partidária correta será determinante para o sucesso ou fracasso nas urnas.
Nos bastidores da política do Distrito Federal, lideranças e analistas convergem em um diagnóstico direto. O próximo pleito será um divisor de águas para muitos nomes que tentam se manter relevantes ou consolidar espaço no Legislativo distrital. A equação é simples e implacável: decisão certa, eleição praticamente assegurada; decisão errada, mais quatro anos de espera, quando não uma interrupção precoce da carreira política.
Entre os nomes que almejam ocupar uma das 24 vagas e que surgem com ampla vantagem competitiva, estão pré-candidatos considerados puxadores de votos, bem relacionados com a população e com expectativa de votação expressiva. Figuram nesse grupo Rodrigo Delmasso, Carlos Tabanez, Sardinha, Cristiano Araújo, Renata D'Aguiar, Raad, Marcela Passamani, Daniel Radar, Roney Nemer, Cláudio Abrantes, Rogério Ulisses e José Humberto Pires. Todos aparecem como nomes capazes de liderar chapas proporcionais e influenciar diretamente o quociente eleitoral de suas legendas.
Mesmo entre os deputados atualmente eleitos, a disputa está longe de ser automática. Figuram como principais postulantes à manutenção de suas cadeiras aqueles que reúnem popularidade, expressiva votação em eleições anteriores e chances reais de reeleição, como Hermeto, Robério Negreiros, Chico Vigilante, Eduardo Pedrosa, Jaqueline Silva, Pastor Daniel de Castro, Joaquim Roriz Neto, Jorge Viana, Fábio Felix e Ricardo Valle. Ainda assim, nenhum deles está blindado contra os riscos do processo eleitoral. Escolhas partidárias equivocadas, chapas desbalanceadas ou alianças mal calculadas podem comprometer projetos de reeleição e empurrar parlamentares consolidados de volta às suas bases, sem mandato.
Somados esses nomes mais competitivos aos demais pré-candidatos, que devem ultrapassar facilmente a marca de seis centenas de postulantes, o universo eleitoral em disputa gira em torno de aproximadamente 2,4 milhões de votos válidos. Trata-se de um mercado eleitoral amplo, porém extremamente fragmentado. Quando a escolha partidária é errada, essa fatia se dilui, e o quociente eleitoral deixa de ser alcançado, tornando inviável até mesmo candidaturas com votação individual relevante.
O quadro se torna ainda mais desafiador quando comparado ao último pleito. Em 2022, cerca de 610 candidatos disputaram as vagas disponíveis, pressionando o quociente eleitoral e pulverizando votos entre dezenas de chapas. Para 2026, a expectativa é de que esse número aumente em algumas dezenas, elevando ainda mais o custo do erro estratégico.
Os riscos dessas escolhas já se materializaram em eleições recentes e servem de alerta claro. Deputados com trajetória, visibilidade e base eleitoral consistente acabaram fora da Casa justamente por estarem em chapas que não alcançaram o quociente. Casos como os de Agaciel Maia, que ficou apenas na suplência; Rodrigo Delmasso, também suplente; Cláudio Abrantes, que não conseguiu a reeleição; Reginaldo Sardinha, sem retorno ao mandato; Valdelino Barcelos, derrotado em 2022; e Delegado Fernando Fernandes demonstram que, no sistema proporcional, errar a legenda pode ser tão fatal quanto não ter votos suficientes.
Nesse contexto, a escolha do partido deixa de ser um detalhe burocrático e passa a ser uma decisão estratégica vital. Estar no lugar errado, com as pessoas erradas, pode custar um mandato inteiro.
Em um tabuleiro cada vez mais estreito e altamente competitivo, a eleição de 2026 não deixará margem para improvisos. Para quem já ocupa mandato ou para quem busca chegar ao Legislativo distrital, o recado é direto: a sobrevivência política dependerá menos do discurso e muito mais da estratégia. As decisões tomadas agora, longe dos palanques, nos bastidores das negociações, definirão quem seguirá com voz, mandato e protagonismo e quem terá de voltar às bases para explicar por que uma escolha equivocada custou quatro anos fora do jogo.
Em 2026, o eleitor não perdoa erro de cálculo: ou se escolhe o caminho certo, ou se paga o preço nas urnas.
