Em entrevista à TV Índia Today, presidente Lula defendeu que o julgamento de Maduro deve ser feito pela Justiça da Venezuela e não pelos EUA
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta sexta-feira (20/2), que a captura e a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos é “inaceitável”. O petista também defendeu que o julgamento do ditador venezuelano deve ser conduzido pela Justiça da Venezuela, e não pela dos norte-americanos.
“Isso é inaceitável. Não há explicação para isso. E acredito que, se o Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser em seu país, não no exterior”, afirmou o titular do Planalto em entrevista à TV indiana Índia Today. “É inaceitável a interferência de uma nação sobre outra.”
O chefe do Executivo também pontuou que, no momento, o mais importante é consolidar o processo democrático na Venezuela e restabelecer a democracia no país.
Lula é crítico ao ataque dos EUA à Venezuela e tem se manifestado desde quando ocorreu a captura de Maduro. No mês passado, durante um evento em Salvador (BA), o petista afirmou que fica “toda noite indignado” com o episódio.
“Eu, sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Os caras entraram à noite na Venezuela, vão no forte, um quartel onde mora o Maduro e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora”, disse.
O petista questionou a “falta de respeito à integridade territorial” da Venezuela e defendeu que esse tipo de ação não condiz com a realidade da América do Sul — que, segundo ele, é uma “zona de paz”.
Captura de Maduro
Em 3 de janeiro, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados pelo governo de Donald Trump durante uma operação militar em Caracas, capital venezuelana. Os dois são acusados de crimes relacionados a narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia apresentada pelas autoridades norte-americanas, Maduro teria liderado, por mais de duas décadas, o Cartel de los Soles, uma organização criminosa dentro do Estado venezuelano voltada ao envio de cocaína para os EUA. Trump, porém, recuou sobre tal acusação contra o chavista e passou a considerá-lo culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.
Maduro e Cilia aguardam julgamento da Justiça norte-americana no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, localizado em Nova York. O venezuelano nega todas as acusações e afirma ser inocente.
Depois da prisão do ditador, a Venezuela passou por um rápido processo de mudanças, com a aproximação aos interesses dos EUA.
