Pode sumir do mapa? Possível participação em CPI e acordos de colaboração colocam holofotes sobre a segurança pessoal do empresário em meio ao escândalo do Banco Master
Por Celso Alonso
Nos bastidores de Brasília, cresce a avaliação de que o maior risco político do caso Banco Master pode não estar apenas nos documentos, mas na palavra de quem sabe demais. Caso Daniel Vorcaro decida cooperar com investigações, prestar depoimento em oitivas de uma CPI ou avançar para uma delação premiada, o impacto pode alcançar esferas sensíveis do poder, do Executivo ao Congresso, passando por figuras da cúpula institucional. Nos debates e análises políticas, surgem especulações envolvendo ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, cujo escritório da esposa teria celebrado contratos significativos com o setor financeiro, totalizando mais de R$ 135 milhões, e Dias Toffoli, com menções em relatórios públicos a parentes e relações familiares ligadas a um resort e negócios associados. Esses elementos reforçam a percepção de que qualquer declaração de Vorcaro poderia repercutir em áreas de grande sensibilidade e exigir medidas de cautela.
Trata-se de um cenário hipotético, mas que vem sendo discutido nos bastidores do meio político: a postura adotada por Vorcaro, silêncio, colaboração parcial ou revelações amplas, pode redefinir o alcance do escândalo. Quanto maior for a amplitude das informações apresentadas, maior tende a ser a pressão institucional e política.
Nesse contexto, o alerta é que medidas de proteção pessoal não seriam exagero. Em casos de alta sensibilidade, é comum que delatores ou testemunhas-chave passem a demandar protocolos reforçados de segurança para si e para familiares, sobretudo quando há potencial de abalar interesses poderosos. Um exemplo recente ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal ofereceu proteção para o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, diante do temor de que, após delações, ele pudesse enfrentar riscos concretos à sua integridade. Vale ressaltar que a intenção daquela Corte e do sistema, inteiro, era apenas extinguir Jair Bolsonaro, e no caso de Vorcaro, a situação se inverte. É apenas ele contra, quase o sistema inteiro.
Comparações surgem no debate público, ainda que com cautela. Episódios como a morte do ministro Teori Zavascki, do ex-candidato à presidência Eduardo Campos e o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel são frequentemente mencionados em "teorias de conspiração" que associam essas mortes a “queimas de arquivos”. É importante esclarecer que, nos casos de Teori Zavascki e Eduarco Campos, as mortes decorreram de acidentes aéreos, não havendo evidências de crimes. Esses exemplos, mesmo quando transformados em ilações, mostram a percepção de risco que acompanha figuras envolvidas em investigações sensíveis, servindo mais como alerta sobre a necessidade de cautela do que como acusação concreta.
O sentimento, compartilhado em círculos políticos, é que qualquer tentativa de silenciar informações, por pressão, intimidação ou violência, produziria efeito inverso, aprofundando a crise e ampliando a responsabilização institucional. Em um ambiente que envolve relações com integrantes do Supremo Tribunal Federal, do Executivo e de parte do Parlamento, a transparência passa a ser a única saída segura.
Ao fim, a encruzilhada é clara: falar pode ser arriscado; calar, igualmente. Mas, nos bastidores, há quem ironize: “Se Vorcaro abrir a boca, a Papuda ficará pequena para tanta autoridade de colarinho branco que será presa”. O recado é claro: caso a lei seja aplicada de fato após uma suposta "abertura de boca de Vorcaro", as consequências podem abalar profundamente o sistema político e econômico. Para o sistema democrático, a lição continua sendo objetiva: a proteção de testemunhas e a integridade das investigações não são detalhes, mas condições essenciais para que a verdade venha à tona sem produzir novas vítimas.
