Novo corte é efeito da crise energética enfrentada pela ilha, ligada diretamente à escassez de combustíveis e do bloqueio imposto pelos EUA desde janeiro
Por AFP — Havana
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Cubanos dirigem motos em meio a apagão em Havana — Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP
Um novo apagão nacional atingiu Cuba neste sábado, informou o Ministério da Energia, marcando o segundo blecaute em menos de uma semana na ilha, que já enfrenta uma grave crise energética decorrente do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
O ministério afirmou em uma publicação no X que ocorreu uma "desconexão total" da rede elétrica nacional por volta das 18h45, horário local (22h45 GMT). O ministério acrescentou que os trabalhos para restabelecer o serviço já haviam começado. Na última segunda-feira, o país enfrentou um apagão de quase 24 horas, mais prolongado do que os cortes programados com os quais os cubanos convivem há alguns anos.
Os cortes de eletricidade têm se intensificado em Cuba, cuja economia está praticamente paralisada desde que a administração de Donald Trump interrompeu os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora do país, e ameaçou impor sanções a quem vender combustível à ilha.
No início de março, a ilha já havia sofrido um apagão que atingiu dois terços do território, incluindo a capital, Havana. A geração de eletricidade do país depende de uma rede de usinas termoelétricas envelhecidas. Na última segunda-feira, foram quase 24 horas até que a luz começasse a ser restabelecida.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, tem registrado vários apagões generalizados desde o fim de 2024. Os cubanos também enfrentam longos cortes programados de energia todos os dias. Nos últimos tempos, a capital tem registrado interrupções superiores a 15 horas, enquanto nas províncias os cortes podem durar mais de um dia.
Desde 9 de janeiro, nenhum navio petroleiro chegou a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, como a suspensão da venda de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de alguns serviços hospitalares.
Para justificar sua política, Washington afirma que Cuba representa uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos Estados Unidos, devido às suas relações com países como China, Rússia e Irã. Já o governo cubano acusa Trump de tentar “asfixiar” a economia da ilha comunista, que está sob embargo dos Estados Unidos desde os anos 1960 e que, recentemente, enfrentou um endurecimento das sanções americanas.
