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O VLT vai eliminar os ônibus da W3? Veja o que dizem os especialistas

A Secretaria de Transporte e Mobilidade pretende retirar os ônibus da W3 após a implantação do VLT entre a avenida e o aeroporto


Material cedido ao Metrópoles

Após implantar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre a W3 e o Aeroporto Internacional de Brasília, como pretende a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob), o próximo passo da pasta será eliminar o tráfego de ônibus na avenida. Especialistas, porém, alertam que a retirada definitiva dos coletivos da via pode ser mais complexa do que se imagina.


O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) barrou a versão inicial do VLT, porque o traçado previa uma rede de energia aérea, o que agrediria o tombamento da capital. O Governo do Distrito Federal (GDF) reformulou a proposta, que agora planeja fiação soterrada. O projeto é avaliado pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF).

Segundo o coordenador do Observatório da Mobilidade 3S da Faculdade de Tecnologia da Universidade Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales, especialista em transporte público, a eliminação dos ônibus da W3 depende de um plano de execução de longo prazo para sair do papel.

“As pessoas que utilizam a W3 se deslocam para outras regiões administrativas (RAs). O VLT não faz isso. Ele pode integrar a estação da Asa Sul, a Central ou da Asa Norte, que ainda não foi concluída”, afirmou. Por exemplo, o BRT, lançado para a transporte de longas distâncias entre cidades, passa pela avenida.

De acordo com o especialista da UnB, grande parte do passageiros que embarcam e desembarcam, especialmente nas quadras finais da W3 Sul e Norte, não moram em Brasília (DF) e usam o transporte coletivo para se deslocar entre seus empregos e residências em outras regiões do DF.

“Fizemos um estudo que mostra a necessidade de criação de mais um ponto de integração, na antiga Rodoferroviária. Mas o problema é o seguinte: as pessoas vão precisar fazer mais integrações. Quem vem de Taguatinga fará três integrações. Isso causa desconforto ao passageiro”, explicou.
Gradual

Adriana Modesto, doutora em transporte e formada pela UnB, pensa na mesma linha. “Se o VLT for implantado (infraestrutura e operação), acredito que será por etapas. Assim sendo, o realocamento dos ônibus convencionais será realizado de forma gradual ou, alternativamente, quando concluída a execução da obra”, ponderou.

Para a especialista, a eventual transferências das linhas de ônibus deverá ser planejada para garantir qualidade e conforto aos passageiros. “O BRT passa pela W3. Eu mesma uso essa linha para me deslocar”, pontuou. Por isso, de acordo com Modesto, a eventual retirada dos ônibus demanda um monitoramento contínuo.

“Lembre-se, pessoas de várias RAs acessam a área central. Parte dessas RAs têm metrô, BRT, outras não, então, passageiros que vêm de regiões que não têm nem um e nem o outro, virão de ônibus convencional, então precisam prever como será essa integração com o futuro VLT”, completou.

Orgânico

Na avaliação de Adriana Modesto, o VLT deve ser implantando de forma orgânica com o sistema de transporte coletivo. “É como um corpo com várias capilaridades que funcionam em conjunto. Quando um elemento desse organismo deixa de funcionar vai reverberando em todas as outras partes”, destacou.

No entanto, segundo a doutora, a primeira preocupação com o projeto é a garantia de recursos. A construção do VLT não chega ao patamar de uma obra do Metrô, mas é vultuosa. Por isso, antes do lançamento do edital o governo deve ter os recursos garantidos. Caso contrário, há risco de paradas e lentidão na execução do projeto em plena W3.

Na comparação com o ônibus, o VLT tem maior capacidade de passageiros, velocidade média, eficiência energética, conforto, segurança, confiabilidade e integração com a paisagem urbana. Apresenta menor impacto ambiental, sendo mais silencioso e sustentável. Em relação ao BRT apresenta um maior custo inicial de implantação.
Asa Norte

Modesto lembrou que o VLT causou impactos positivos em cidades como Berlim, Porto e Gant e por isso tem potência para revitalizar a W3. “Por ter crescido nessa grande Boulevard nas décadas de 1970, 1980, fui testemunha ocular de seu auge e presencio hoje seu declínio no que tange à área comercial”, comentou.

Para a especialista, o VLT pode causar um impacto ainda maior na Asa Norte, em termos de mobilidade. “O Metrô para seus residentes ainda está parado lá na ‘Estação da década de 1990’. Seria a oportunidade de Brasília realmente se modernizar, até porque, o ‘futuro não é mais como era antigamente'”, arrematou.

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