
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que a Corte tem de ser mais transparente para melhorar sua imagem perante à sociedade e a convivência interna entre os magistrados. A declaração aconteceu durante o evento Fundação FHC, O Brasil na Visão das Lideranças Públicas, nesta segunda-feira (13).
– Minhas agendas são públicas, é tudo certo. E eu acho que, quanto mais se der essa transparência, essa explicação, tanto melhor para o Poder Judiciário, para o Supremo Tribunal Federal e, principalmente, para nós ali dentro mesmo, de convivência. Não acho que o Supremo possa ficar como está nem na sua dinâmica. E eu acho que ele tem tentado isso, desde, pelo menos nos últimos 10 ou 15 anos, eu vejo essa tentativa de mudança. Acho sempre que cada vez mais é preciso que a gente escute a sociedade porque a confiança depende do conhecimento que a pessoa tem do outro – ponderou.
Na ocasião, a magistrada argumentou ser preciso que o tribunal “se debruce” sobre os questionamentos públicos feitos em relação à Corte.
– Eu vejo vontade dos ministros de se debruçarem, de verificarem. Porque não interessa a quem quer que seja que a gente não seja legitimado permanentemente. Porque a legitimação não é só para ingressar no Supremo, é para a permanência, porque somos servidores da sociedade – assinalou.
Cármen Lúcia admitiu ainda temer que futuras vagas para o tribunal venham a ser recusadas no futuro devido ao desgaste que os ministros sofrem. Ela confessou que sua família pede para que ela deixe o Supremo devido a “discursos de ódio”.
– A dificuldade é enorme, porque o discurso de ódio contra homem é mal administrador, isso e aquilo, nós, e os senhores todos já viram o que fazem a meu respeito. Ele é sexista, machista, desmoralizante, e todo mundo da família fala: “Cármen, sai disso. Chega. Já fez o que tinha que fazer no espaço” – adicionou.
