Por Diário de Ceilândia
O delegado Fernando Batista Fernandes deixou a chefia da 19ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia, para disputar uma vaga de deputado distrital nas eleições de 2026. O movimento recoloca em cena uma trajetória marcada por decisões que ajudam a explicar o resultado das urnas.
Em 2018, foi eleito com 29.420 votos, o segundo mais votado do Distrito Federal. A votação veio da atuação direta como delegado, com presença constante em áreas como o Sol Nascente e foco no combate ao tráfico de drogas. O eleitor sabia exatamente quem estava elegendo.
A mudança começa logo após a posse. Em vez de exercer o mandato, licencia-se e assume a Administração Regional de Ceilândia. A primeira quebra ocorre aí. Quem votou em um deputado passa a ver outro nome ocupar a cadeira.
Na administração, o segundo movimento aprofunda o problema. Mesmo no cargo, ele passa a participar de operações policiais, mantendo presença em ações de segurança e reforçando a imagem de delegado. A atuação não acompanha plenamente as exigências da função que passou a ocupar.
Esse é o ponto central. O capital político nasceu na polícia, mas o mandato exigia outra entrega. Ceilândia não demanda apenas segurança pública, mas respostas contínuas em infraestrutura, saúde, mobilidade e serviços urbanos. Quando essa transição não se completa, surge um descompasso entre expectativa e realidade.
Ao longo do tempo, a indefinição desgasta. Ele não se consolida como deputado, não se afirma como administrador e permanece ligado ao papel anterior. O que era força passa a ser limite. Em 2022, a consequência aparece de forma direta: a votação cai pela metade, e ele não consegue se reeleger, ficando fora da Câmara Legislativa.
Agora, ao voltar à disputa, surge também a oportunidade de corrigir esse percurso. A nova eleição pode funcionar como um ponto de revisão, em que Fernandes terá a chance de demonstrar ao eleitor, de forma mais clara, para qual função pretende se dedicar — e se é capaz de alinhar a expectativa criada com a entrega efetiva do mandato.
