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Paciente tem nádega amputada após ficar muito tempo na mesma posição. Veja vídeo

Segundo a família, o paciente foi vítima de negligência e falha de atendimento no Hospital de Base. O IgesDF nega erro no tratamento


Material cedido ao Metrópoles

O autônomo José Marques Barbosa (foto em destaque), 62 anos, teve parte das nádegas amputada no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Segundo a família, ele teria sofrido lesões por ter ficado deitado por muito tempo na mesma posição, enquanto estava internado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), contrariando os protocolos de internação.

Veja:

Ilton Costa Marques, 37, filho de José Marques, diz que o estado de saúde do pai é grave. “Tiraram grande parte das nádegas do meu pai. E não tem como tirar de outro lugar do corpo dele, porque ele está muito desnutrido. Meu pai pesava 65 kg. Hoje está com menos de 55 kg. Ele está muito magro. Quando vi o local da amputação, quase caí para trás. Fiquei muito triste“, afirmou. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pelo Base, nega negligência ou falha no atendimento (leia abaixo).

A cena chocou Ilton. “No dia em que vi, me partiu o coração. Dói muito ver o sofrimento do meu pai. Me parte o coração”, pontuou. De acordo com Ilton, José Marques está recebendo medicação diariamente para suportar a dor pós-cirúrgica.

“Sem os remédios, ele não vai aguentar. É dor demais”, reforçou. A família registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil (PCDF) e cogita entrar na Justiça em busca de reparação.

Para a família, José Marques foi vítima de negligência médica, além de ter sido submetido a diversas falhas no atendimento durante a internação no HDBF, em janeiro de 2026.

Após intervenção do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), o paciente foi transferido para o HRS. Após a amputação da nádega direita, foi remanejado para o Hospital Regional de Samambaia (HRSam), onde permanece sem previsão de alta.

“Foi negligência. Se tivessem cuidado do meu pai da forma como ele chegou ao Base, ele não estaria assim. Quando ele chegou a Sobradinho, foi Deus. Os médicos não entenderam por que deixaram meu pai só em uma posição na cama. Era para ter feito as manobras, virá-lo e fazer exercícios. É o procedimento padrão. Não entenderam por que não o fizeram no Base. As nádegas estavam muito lesionadas”, comentou.

Risco de morte

De acordo com Ilton, José Marques ainda corre risco de morte. Além das dores pela amputação, enfrenta uma infecção bacteriana, tem confusão mental e episódios de perda de memória. O filho do paciente alega que o HBDF não entrou em contato com a família desde a transferência do idoso, tampouco apresentou pedido de desculpas ou se colocou à disposição para ajudar o paciente.

A família tem expectativa pela alta de José Marques. “A gente quer ele de volta, sem sequelas. Porque do jeito que ele está… Ele não fala mais nada com nada… Acabaram com a vida do meu pai. Quero que a justiça seja feita”, desabafou.

Entenda o caso:
  • José Marques foi internado em estado grave no Hospital de Base, em 20 de janeiro de 2026, após ter sido atropelado por uma moto. Inicialmente, o diagnóstico apontou traumatismo craniano;
  • Em 3 de fevereiro, segundo a família, mesmo ainda se recuperando de fraturas na clavícula e em três costelas, José Marques recebeu alta. Não teria recebido prescrição de remédios, apenas um calmante;
  • O paciente passou mal e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo II. Exames diagnosticaram plaquetas baixíssimas no sangue e pneumonia: ele estava com, aproximadamente, 80% do pulmão comprometido;
  • A UPA transferiu José para o Base. Chegando ao hospital, a família teria sido informada de que o prontuário do paciente não havia sido localizado. Após pressão da família, José foi internado em uma Unidade de Cuidado Intensivo (UCI);
  • Com o quadro grave, José Marques foi intubado. Na sequência, o paciente contraiu bactéria agressiva. A família questionou se José estaria recebendo os cuidados básicos de higiene, porque o paciente exalava odor forte;
  • Em busca de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a família pediu apoio ao MPDFT. Dessa forma, José conseguiu leito no HRS. Lá, os médicos diagnosticaram a necessidade de retirada de parte das nádegas;
  • O paciente foi transferido para o HRSam, apresentando grave estado de saúde, com confusão mental e perda de memória. Não há previsão de alta.
Outro lado

O IgesDF informou que o paciente deu entrada no Hospital de Base, em 20 de janeiro de 2026, vítima de atropelamento com politraumatismo. Segundo o instituto, durante a internação, realizou exames, incluindo tomografia de crânio de controle, sem evidência de piora e sem indicação cirúrgica. Recebeu alta em 3 de fevereiro, sem sinais clínicos ou laboratoriais de infecção urinária ou respiratória.

“Não houve perda de prontuário. Foram identificados dois registros cadastrais, sem prejuízo à assistência. O paciente recebeu acompanhamento e tratamento conforme avaliação médica durante todo o período em que esteve sob cuidados da unidade”, afirmou o IgesDF, em nota enviada ao Metrópoles.

Durante o período de internação, segundo o IgesDF, em decorrência do quadro clínico grave e da limitação de mobilidade, o paciente apresentou lesão por pressão em região sacral, classificada como grau II. A situação teria sido prontamente identificada pela equipe assistencial, que instituiu as condutas terapêuticas indicadas, incluindo realização de curativos e intensificação das medidas de prevenção, como mudanças de posição em intervalos regulares.

“Destaca-se que pacientes em estado clínico grave, especialmente aqueles com mobilidade reduzida, alterações neurológicas e instabilidade hemodinâmica, apresentam risco elevado para o desenvolvimento de lesões por pressão, mesmo diante da adoção rigorosa dos protocolos assistenciais e medidas preventivas preconizadas, não configurando, por si só, falha na assistência prestada. Vale ressaltar que não houve realização de procedimento cirúrgico nas nádegas durante o período em que o paciente esteve no HBDF”, justificou o instituto.

O Metrópoles entrou em contato com a Secretária de Saúde. A pasta apenas confirmou a internação no HRSam, mas não apresentou informações sobre o estado do paciente.

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