O caso Fabiane Maria de Jesus é o quarto episódio da série "História do Crime", que está no GloboPop. Dona de casa tinha 33 anos quando foi espancada até a morte por moradores no Guarujá, litoral de SP, motivados por um boato postado em uma rede social.
Por Marih Oliveira,
Fabiane Maria de Jesus foi vítima de um linchamento brutal em 2014, desencadeado por uma notícia falsa disseminada nas redes sociais. Ela foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças.
Mãe de duas filhas, Fabiane foi abordada e agredida até a morte por moradores de Morrinhos, no Guarujá, no litoral de São Paulo.
A revolta popular partiu de uma página no Facebook, "Guarujá Alerta", que publicou um retrato falado falso. A postagem foi removida duas horas depois, mas o boato já havia se espalhado.
Fabiane não resistiu aos ferimentos e faleceu dois dias após o linchamento. O caso levou à condenação de cinco agressores e impulsionou debates sobre a responsabilização por notícias falsas.
Fabiane Maria de Jesus foi vítima de uma notícia falsa publicada e compartilhada em maio de 2014 no Facebook. Ela foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra, amarrada e agredida por moradores de Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo.
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Há 12 anos, Fabiane Maria de Jesus foi espancada e morta por moradores do Guarujá, em São Paulo — Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
“Se tem notícia de que este foi o primeiro evento com resultado morte, envolvendo a publicação de uma notícia falsa”, disse o delegado da Polícia Civil , Luiz Ricardo Lara, em entrevista ao Fantástico em outubro de 2022.
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Relembre o caso
Fabiane Maria de Jesus era casada e tinha duas filhas, uma de 12 e a outra de um ano de idade. A família morava no bairro Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo.
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A dona de casa Fabiane Maria de Jesus era casada e tinha duas filhas quando foi espancada até morte em 2014 — Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
No dia 3 de maio de 2014, a dona de casa foi até a igreja que frequentava de bicicleta pegar uma bíblia que havia esquecido no local. Da igreja, ela seguiria para casa de um parente, mas, no caminho, foi abordada por um grupo de pessoas que a acusaram de ser uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra em São Paulo. Sem ter como se defender, Fabiane foi espancada, arrastada pelo bairro e torturada.
A notícia falsa que gerou a revolta popular e, consequentemente, o linchamento de Fabiane, começou na internet. A página do Facebook Guarujá Alerta postou um retrato falado que alegou ser da suposta sequestradora. Em depoimento, o dono da página disse que apagou a publicação cerca de duas horas depois por se tratar de um boato.
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Imagens do linchamento de Fabiane Maria circularam pelas redes sociais e levaram a polícia a identificar os agressores. — Foto: Reprodução
As imagens bárbaras e extremamente violentas do linchamento de Fabiane circularam pelas redes sociais na época do crime e, a partir delas, a polícia conseguiu identificar alguns de seus principais agressores. Nelas, é possível ver dezenas de pessoas assistindo ao espancamento de Fabiane.
A dona de casa chegou a ser socorrida pela polícia, mas não resistiu às agressões e faleceu dois dias depois, em 5 de maio de 2014, no Hospital Santo Amaro, também no Guarujá. De acordo com familiares de Fabiane, após as agressões, ela sofreu traumatismo craniano e havia sido internada em estado crítico.
O retrato falado falso
Na época do crime, a assessoria da Polícia Civil confirmou ao g1 que o retrato falado divulgado pela página "Guarujá Alerta" foi feito por peritos da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), em inquérito que apurava uma tentativa de sequestro de um bebê ocorrido em agosto de 2012 em Ramos, Zona Norte do Rio de Janeiro.
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Retrato falado feito em 2012 no RJ e postado pela página "Guarujá Alerta" em 2014 — Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Em entrevista ao Fantástico em maio de 2014, a única testemunha do crime ocorrido no Rio disse que a mulher do retrato falado era "totalmente diferente" da dona de casa assassinada no Guarujá.
O julgamento
A polícia identificou cinco suspeitos pelo espancamento e eles foram levados a julgamento. Em outubro de 2016, Lucas Rogério Fabrício Lopes, foi condenado a 30 anos de cadeia por participação no crime.
No dia 28 de janeiro de 2017, outros quatro foram condenados: Abel Vieira Batalha Júnior, Carlos Alex Oliveira de Jesus, e Jair Batista dos Santos, todos estes receberam pena de 40 anos de prisão em regime fechado; e Valmir Dias Barbosa, de 26 anos de detenção.
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Amigos e familiares pediram "justiça" no enterro de Fabiane Maria de Jesus, em 2014 — Foto: Reprodução
O caso de Fabiane impulsionou debates sobre a responsabilização pela divulgação de notícias falsas, principalmente na internet, e influenciou mudanças na lei brasileira.
