Após minimizar pequenos crimes no passado, presidente agora aposta em medidas contra roubos e receptação de celulares; mudança de postura em ano pré-eleitoral levanta críticas e acusações de oportunismo político.
A guinada no discurso de Luiz Inácio sobre roubos e furtos de celulares mostra uma contradição cada vez mais evidente do governo federal às vésperas da corrida eleitoral de 2026. Depois de anos relativizando pequenos crimes e até minimizando roubos de celulares com declarações polêmicas, o presidente agora tenta adotar uma postura de rigor contra a criminalidade, em uma mudança vista por críticos como claramente eleitoral.
O governo federal anunciou a ampliação do programa Celular Seguro, iniciativa que pretende reforçar o combate ao roubo e furto de aparelhos por meio da integração nacional de dados, rastreamento de celulares e responsabilização de receptadores e comerciantes envolvidos na venda de produtos roubados.
A nova narrativa contrasta diretamente com falas anteriores de Luiz Inácio, que já afirmou que muitas pessoas roubavam celulares “para tomar uma cervejinha”, declaração que gerou forte reação negativa na época por aparentar banalizar um crime que afeta milhões de brasileiros diariamente.
Agora, no entanto, o presidente tenta endurecer o discurso justamente quando a segurança pública começa a ocupar espaço central no embate eleitoral. A mudança de postura mostra incoerencia do governo e sobre os motivos que levaram o Planalto a tratar o tema com mais seriedade apenas neste momento.
Durante evento em Aracruz, no Espírito Santo, Luiz Inácio afirmou que estuda mecanismos para atingir até 2,5 milhões de celulares roubados por meio de mensagens automáticas que poderiam orientar usuários a devolver os aparelhos. Ao mesmo tempo, disse buscar uma forma de não prejudicar compradores de boa-fé.
A fala reforça mudança de postuta do governo para demonstrar preocupação com um problema que já explodiu há anos nas grandes cidades brasileiras, mas que até recentemente não ocupava posição prioritária no discurso presidencial.
Desde o início do atual mandato, o governo evitou adotar uma linha mais dura contra pequenos delitos patrimoniais, frequentemente associados ao avanço da sensação de insegurança no país. Agora, diante da aproximação do calendário eleitoral e da pressão crescente da opinião pública, o Planalto tenta reposicionar sua imagem na área de segurança pública.
A estratégia inclui a criação da Base Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), sistema que reunirá informações de roubos, furtos e identificação de aparelhos, permitindo integração entre polícias civis e secretarias estaduais de segurança.
O projeto também busca atingir comerciantes e redes que alimentam o mercado clandestino de celulares roubados, setor que movimenta milhões e sustenta parte da criminalidade urbana.
Nos bastidores, a avaliação é de que Luiz Inácio percebeu o desgaste provocado por discursos considerados lenientes com criminosos e tenta agora reconstruir uma imagem de firmeza diante do eleitorado. O problema, segundo adversários, é que a mudança acontece tarde, e convenientemente em um período pré-eleitoral.
Criado em 2023, o Celular Seguro, que somente poderá entrar em vigor efetivamente agora, é uma das principais apostas do Ministério da Justiça. O aplicativo permite bloquear celulares, linhas telefônicas e contas bancárias vinculadas ao aparelho em caso de roubo ou furto.
Apesar da divulgação dos números de adesão ao programa, muitos afirmam que o governo passou grande parte do mandato tratando a criminalidade urbana de maneira ideológica, sem priorizar medidas efetivas de combate ao avanço dos roubos nas ruas.
Agora, com a segurança pública no centro das preocupações da população e das futuras disputas eleitorais, o Planalto tenta acelerar ações e mudar o tom do discurso, ainda que isso signifique contrariar posicionamentos adotados pelo próprio presidente no passado recente.
