O equipamento tem tamanho semelhante ao de uma geladeira. A tecnologia busca criar uma alternativa aos combustíveis derivados do petróleo
Por Igor de Paiva

A criação pertence à Aircela, empresa fundada em Nova York pelos engenheiros Mia Dahlgren e Eric Dahlgren/Pixabay
Uma startup dos Estados Unidos desenvolveu uma máquina compacta capaz de produzir gasolina sintética usando ar, água e eletricidade renovável. Segundo a empresa, o combustível possui características semelhantes às da gasolina tradicional e pode ser utilizado em motores atuais.
O equipamento tem tamanho semelhante ao de uma geladeira. A tecnologia busca criar uma alternativa aos combustíveis derivados do petróleo.
A criação pertence à Aircela, empresa fundada em Nova York pelos engenheiros Mia Dahlgren e Eric Dahlgren.
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Segundo a companhia, o sistema produz um combustível líquido compatível com motores a gasolina já existentes.
Além disso, a proposta é reduzir a dependência da extração de petróleo. Para isso, a máquina utiliza dióxido de carbono (CO₂) capturado da atmosfera como uma das matérias-primas.
No entanto, o equipamento ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Atualmente, cada unidade consegue produzir cerca de 3,8 litros de gasolina sintética por dia.
Máquina captura carbono do ar e transforma em combustível
O processo começa com a captura direta do CO₂ presente na atmosfera.
Depois disso, a máquina separa o hidrogênio da água por meio da eletrólise. Esse procedimento utiliza eletricidade para dividir as moléculas de água.
Quando a energia utilizada vem de fontes renováveis, a tecnologia reduz a emissão de carbono durante a produção.
Em seguida, o equipamento combina o hidrogênio com o dióxido de carbono. Dessa forma, cria o metanol, um composto utilizado na fabricação do combustível.
Por fim, a máquina transforma o metanol em gasolina sintética por meio de uma reação química.
A Aircela afirma que o resultado é um combustível com características semelhantes às da gasolina tradicional.
Combustível pode ser usado em veículos atuais
Um dos principais diferenciais da tecnologia está na compatibilidade com motores já existentes.
Segundo a empresa, a gasolina sintética pode abastecer veículos convencionais sem mudanças no motor, tanque ou sistema de alimentação.
O combustível recebe o nome de “drop-in”. O termo indica produtos que podem substituir ou complementar combustíveis tradicionais sem grandes adaptações.
Além disso, a startup afirma que os testes alcançaram um índice equivalente a uma gasolina de 95 octanas ou superior.
Entretanto, a tecnologia ainda precisa passar por avaliações independentes, certificações e testes em escala comercial.
Produção ainda é limitada
Apesar do potencial, a máquina ainda não consegue atender à demanda de veículos em circulação.
Cada unidade captura aproximadamente 10 quilos de CO₂ por dia. Esse volume permite produzir cerca de 3,8 litros de gasolina sintética.
Por isso, a tecnologia ainda funciona como uma demonstração de que é possível fabricar combustíveis líquidos usando carbono retirado da atmosfera.
A produção em larga escala dependerá de avanços técnicos. Além disso, será necessário reduzir custos e ampliar a capacidade dos equipamentos.
Tecnologia tenta prolongar uso dos motores a combustão
Os combustíveis sintéticos ganharam espaço nas discussões sobre o futuro do transporte.
Atualmente, eles aparecem como alternativa para setores em que a eletrificação ainda enfrenta dificuldades.
Entre eles estão a aviação, o transporte pesado, as embarcações e veículos antigos.
No caso dos automóveis, a tecnologia pode permitir que motores já fabricados continuem funcionando com combustíveis menos dependentes do petróleo.
Além da Aircela, outras empresas também investem no desenvolvimento dos chamados e-fuels.
A Porsche, por exemplo, participa de projetos de combustíveis sintéticos produzidos com energia renovável.
Escala comercial ainda é o maior desafio
Embora apresente uma nova possibilidade para o setor energético, a gasolina sintética ainda precisa superar diversos obstáculos.
Entre os principais desafios estão o custo de produção, a disponibilidade de energia limpa e a aprovação dos órgãos reguladores.
Portanto, a máquina criada pela Aircela ainda não substitui refinarias ou postos de combustíveis.
A tecnologia representa uma nova alternativa para o futuro dos combustíveis. Ela se soma a outras soluções, como veículos elétricos, biocombustíveis e fontes renováveis de energia.
