Senadores da oposição apontam diferenças entre as condições impostas aos dois ex-presidentes e questionam critérios adotados pelo Judiciário.
Por Celso Alonso | BRASÍLIA | 14/07/2026
As condições impostas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que esteve preso em Curitiba voltaram a ser o foco da cena política após parlamentares da oposição compararem aquele cenário com as medidas cautelares atualmente aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que Lula manteve intensa articulação política enquanto cumpria pena decorrente das condenações da Operação Lava Jato. Segundo o parlamentar, o então ex-presidente recebeu diversas visitas de lideranças políticas e participou de decisões internas do Partido dos Trabalhadores (PT) durante o período em que esteve preso.
Entre os visitantes autorizados pela Justiça estiveram Fernando Haddad, que disputou a Presidência da República em 2018, além de lideranças como Fátima Bezerra, Wellington Dias, Camilo Santana, Jaques Wagner, Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Flávio Dino, Manuela d'Ávila, Guilherme Boulos, Renan Calheiros, Roberto Requião e Jandira Feghali.
Também foram autorizadas visitas de personalidades internacionais, como o então político argentino Alberto Fernández e o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.
As autorizações para visitas ocorreram por decisões judiciais proferidas durante o período em que Lula esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
A comparação ganhou força após a divulgação das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro em investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as restrições determinadas pela Corte está a proibição de contato com determinados investigados e outras medidas previstas no processo, levando parlamentares da oposição a questionarem diferenças no tratamento conferido aos dois ex-presidentes em momentos distintos.
O tema tem sido explorado policamente entre governistas e oposicionistas, que apresentam interpretações divergentes sobre a legalidade e a proporcionalidade das decisões judiciais adotadas em cada caso. Enquanto a oposição sustenta que houve tratamento desigual, apoiadores das decisões judiciais argumentam que as medidas foram definidas de acordo com as circunstâncias específicas de cada investigação e dos respectivos processos.
