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CLDF - Violência contra a Mulher

Celina Leão é a segunda mulher a governar o DF e a primeira eleita pelo voto direto

Eleita neste domingo (25), Celina se torna a primeira mulher escolhida diretamente pelas urnas para comandar o Palácio do Buriti; Abadia assumiu o governo em 2006, após a renúncia de Joaquim Roriz.

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Por Celso Alonso | BRASÍLIA 25/10/2026

Celina Leão (PP) foi eleita governadora do Distrito Federal neste domingo (25/10), tornando-se a segunda mulher a ocupar o comando do Governo do Distrito Federal (GDF) e a primeira a conquistar o cargo por meio do voto direto. O resultado foi confirmado por volta das 20h, com mais de 90% das urnas apuradas. Gustavo Rocha (Republicanos) foi eleito vice-governador.

A vitória representa um marco na história política da capital federal. Antes de Celina, Maria de Lourdes Abadia foi a primeira mulher a governar o Distrito Federal, em 2006. Filiada ao PSDB à época, Abadia assumiu o Palácio do Buriti em março daquele ano, depois da renúncia do então governador Joaquim Roriz, de quem era vice-governadora. Ela permaneceu à frente do Executivo local até o fim daquele mandato.

A chegada de Abadia ao governo ocorreu pela sucessão constitucional, e não por uma eleição direta para governadora. Duas décadas depois, Celina Leão alcança um feito inédito ao conquistar nas urnas o direito de comandar o Distrito Federal, tornando-se a primeira mulher eleita diretamente para o cargo.

Maria de Lourdes Abadia abriu caminho para as mulheres no GDF

A trajetória de Maria de Lourdes Abadia ocupa um lugar importante na história política do Distrito Federal. Antes de assumir o governo, ela construiu carreira na vida pública, foi deputada federal constituinte e exerceu funções políticas e administrativas na capital.

Em março de 2006, com a renúncia de Joaquim Roriz, Abadia assumiu o governo e tornou-se a primeira mulher a comandar o Executivo distrital. Sua passagem pelo Palácio do Buriti ocorreu em um período de transição política, quando permaneceu no cargo até o encerramento do mandato, no início de 2007.

A experiência de Abadia estabeleceu um precedente na história do GDF. Agora, com a eleição de Celina Leão, o Distrito Federal registra um novo capítulo: pela primeira vez, uma mulher recebe diretamente dos eleitores a legitimidade das urnas para governar a capital federal.

Trajetória política de Celina Leão e chegada ao Buriti

A governadora do Distrito Federal - Foto: Pedro Ladeira - Folha Express

Natural de Goiânia (GO), Celina Leão é formada em administração e direito. Casada com o empresário Fabrício Faleiro, ela é mãe de dois filhos e construiu sua carreira política no Distrito Federal, inicialmente como aliada do ex-governador Joaquim Roriz.

Em 2010, foi eleita deputada distrital para a legislatura iniciada em 2011, conquistando a reeleição em 2014. Em 2018, ampliou sua atuação política ao conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Posteriormente, integrou o governo de Ibaneis Rocha (MDB), ocupando funções nas áreas de Esporte e da Mulher. Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa encabeçada por Ibaneis, consolidando sua presença no núcleo de decisões do Executivo local.

Em março de 2026, após a saída de Ibaneis do cargo, Celina assumiu o governo do Distrito Federal. À frente do GDF, disputou a reeleição e agora conquista um mandato próprio, respaldado pelo voto popular.

Durante a campanha, Celina contou com o apoio de importantes lideranças políticas do campo conservador, entre elas Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), além de articulações com partidos aliados.

O apoio de lideranças e a articulação partidária contribuíram para a construção de sua candidatura à reeleição. A adesão do Avante no Distrito Federal também ampliou a base política da governadora.

No primeiro turno, Celina alcançou 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos, ficando a apenas 168 votos da vitória necessária para evitar o segundo turno. Seu adversário, Leandro Grass (PT), recebeu 564.930 votos, correspondentes a 34,47%.

A disputa também foi marcada por relatos de aliados sobre eleitores que teriam digitado o número 22, do PL, em vez do número 11, do PP, partido de Celina. Segundo essa avaliação, a confusão teria prejudicado o desempenho da candidata na primeira etapa da eleição.

Apesar da vitória nas urnas, Celina terá de enfrentar desafios administrativos e políticos relevantes. Entre eles estão a situação financeira do Distrito Federal, a qualidade dos serviços públicos, a mobilidade urbana, a segurança e a continuidade de obras e programas governamentais.

A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e sua relação com o Banco Master também representa um dos assuntos delicados enfrentados pela governadora durante sua passagem pelo Executivo.

Na área jurídica, Celina foi alvo de investigação relacionada à Operação Drácon, que apurou suspeitas envolvendo integrantes da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Conforme as informações divulgadas, ela foi absolvida em primeira instância em uma das ações, enquanto um processo de improbidade administrativa ainda tramitava na Justiça do DF. A situação processual deverá ser acompanhada com base nas decisões judiciais atualizadas.

Com a confirmação da vitória, Celina Leão entra para a história como a segunda mulher a governar o Distrito Federal, depois de Maria de Lourdes Abadia, e a primeira a ser eleita diretamente para o cargo.

A trajetória das duas políticas representa momentos distintos da participação feminina no comando do Executivo local: Abadia chegou ao governo pela sucessão constitucional, em 2006; Celina conquistou o mandato nas urnas, em 2026.

Ao lado do vice-governador eleito Gustavo Rocha, Celina terá a responsabilidade de conduzir o Executivo distrital e transformar o resultado eleitoral em ações concretas para a população da capital federal.

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