Presidente dos Estados Unidos afirma que monitora a disputa do segundo turno e mantém cautela sobre o resultado; anteriormente, classificou o desempenho de Flávio Bolsonaro na primeira etapa como uma “grande vitória”
Por Celso Alonso | BRASÍLIA 25/10/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (25) que está monitorando as eleições presidenciais brasileiras, mas evitou declarar apoio público a qualquer um dos candidatos que disputam o segundo turno: o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado por jornalistas sobre a disputa eleitoral no Brasil, Trump preferiu não aprofundar o assunto. “Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando”, declarou.
A manifestação ocorre em um momento de atenção internacional sobre o processo eleitoral brasileiro, que também entrou no radar de parlamentares norte-americanos e autoridades dos Estados Unidos. Apesar de evitar um novo posicionamento explícito neste domingo, Trump já havia comentado a importância da eleição e elogiado o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Antes da primeira etapa da votação, o presidente norte-americano classificou o pleito brasileiro como importante e elogiou o país e sua população.
“O Brasil é um país muito importante, um grande país, as pessoas no Brasil são fantásticas, é uma eleição muito importante”, afirmou na ocasião.
Em outra declaração, Trump avaliou o resultado obtido por Flávio Bolsonaro no primeiro turno como uma “grande vitória”, embora tenha previsto uma disputa apertada na fase decisiva.
“Acho que vai ser uma eleição muito apertada. Acho que o Brasil será muito apertado. Bem, é uma grande vitória — apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Impressionante, na verdade”, declarou.
As manifestações anteriores demonstraram a atenção do republicano à disputa brasileira, embora a declaração mais recente não represente um endosso formal a nenhum dos candidatos.
A atuação do governo Trump em relação ao Brasil também foi alvo de questionamentos no Congresso norte-americano. Em setembro, 31 deputados democratas acusaram a administração republicana de exercer pressão sobre instituições brasileiras por meio de medidas econômicas, políticas e diplomáticas.
Os parlamentares cobraram garantias de que os Estados Unidos respeitariam o resultado das urnas e aceitariam a escolha feita pelos eleitores brasileiros.
Em resposta a questionamentos recentes, o Departamento de Estado norte-americano afirmou que pretende manter o diálogo com o governo que sair vencedor da eleição, mas, segundo as informações divulgadas, não detalhou medidas específicas para assegurar o respeito ao resultado.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também classificou como crítico o cenário de possível interferência norte-americana no processo eleitoral.
Lula, por sua vez, já havia questionado a atuação de Washington e afirmado que pediu a Trump para não interferir na disputa política brasileira.
No início de agosto, um alto funcionário do Departamento de Estado declarou que o governo norte-americano respeitaria a decisão da população brasileira, desde que expressa em eleições livres e justas.
“Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil”, afirmou o representante, acrescentando que Washington não pretendia romper as relações com Brasília.
A declaração de Trump neste domingo mantém em aberto seu posicionamento público sobre o desfecho da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula. Ao afirmar que acompanha a votação, mas evitar declarar apoio, o presidente norte-americano sinaliza cautela diante de uma eleição que desperta interesse político e diplomático nos Estados Unidos.

