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ELEIÇÕES 2026 - UOL retira do ar reportagem sobre recursos de Vorcaro para filme ligado a Flávio Bolsonaro

Texto comparava os R$ 134 milhões atribuídos ao financiamento de Dark Horse com ganhos de instituições financeiras na comercialização de CDBs do Banco Master; Metrópoles afirma que a publicação desapareceu sem explicações

Arte/Metrópoles


Por Celso Alonso | BRASÍLIA 21/10/2026

O portal UOL retirou de suas plataformas uma reportagem que comparava o montante negociado entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, relacionado à produção do filme Dark Horse, com os ganhos obtidos por instituições financeiras na comercialização de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. A retirada do conteúdo foi noticiada pelo Metrópoles, que afirma ter recuperado a versão original por meio da Wayback Machine, ferramenta de arquivamento de páginas da internet.

Publicada originalmente em 19 de maio de 2026, a matéria recebeu o título “Flávio negociou com Vorcaro mais do que BTG ganhou com CDBs do Master”. Segundo o conteúdo reproduzido pelo Metrópoles, o texto abordava o valor de R$ 134 milhões relacionado à produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A reportagem utilizava esse montante como parâmetro de comparação com as receitas atribuídas a bancos e corretoras que participaram da distribuição de CDBs emitidos pelo Banco Master. Entre as instituições citadas estavam BTG Pactual, Órama, Genial, Safra e Ágora. XP e Nubank também apareciam no levantamento, com valores superiores ao montante associado ao filme, conforme a publicação original.

De acordo com o Metrópoles, a reportagem permaneceu disponível por aproximadamente um dia. O conteúdo teria sido retirado em 20 de maio, sem que o UOL apresentasse uma justificativa pública aos leitores.

O veículo afirma que conseguiu recuperar o material por meio do arquivo digital da Wayback Machine. A publicação também levantou a hipótese de que a retirada poderia estar relacionada à comparação envolvendo as instituições financeiras mencionadas no texto.

Entretanto, até que haja esclarecimentos do UOL ou evidências adicionais, não é possível estabelecer como fato que a decisão tenha ocorrido em razão de pressão dos bancos. O Metrópoles informou que procurou o portal para obter esclarecimentos, mas não recebeu resposta aos questionamentos apresentados.

O caso também chama a atenção para as diretrizes editoriais do Grupo Folha, controlador do UOL e do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo os trechos do Manual de Redação reproduzidos pelo Metrópoles, a Folha estabelece que conteúdos publicados em suas plataformas digitais não devem ser retirados do ar, salvo em situações como o cumprimento de determinação judicial. O documento também prevê que informações sejam modificadas quando houver necessidade de atualização ou correção, além de estabelecer restrições a alterações destinadas a impedir que conteúdos sejam encontrados em mecanismos de busca.

A existência dessas regras levanta uma questão editorial relevante: caso uma reportagem seja retirada ou modificada, quais foram os critérios utilizados e por que a decisão não foi comunicada ao público?

A transparência sobre correções, atualizações e mudanças em materiais jornalísticos é importante para preservar a confiança dos leitores e permitir que eventuais erros sejam identificados e corrigidos de maneira verificável.

A retirada da matéria ocorre em meio a outros episódios envolvendo a cobertura jornalística sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master, também divulgados pelo Metrópoles.

Em reportagens anteriores, o portal relatou que Vorcaro teria recorrido a um assessor de crise para influenciar o momento de publicação e o conteúdo de um perfil jornalístico sobre o banqueiro na Folha de S.Paulo. Segundo o veículo, o pagamento mencionado teria sido de R$ 1 milhão.

O Metrópoles também afirmou que, após a publicação de informações sobre a financeira Fictor, ligada ao contexto dos negócios do Master, a Folha retirou quatro parágrafos de uma reportagem que levantava suspeitas sobre a atuação da empresa. O episódio, segundo o portal, foi posteriormente objeto de críticas da ombudsman do jornal.

Esses relatos, atribuídos ao Metrópoles, ampliam o debate sobre a independência editorial e a necessidade de transparência quando interesses econômicos ou empresariais aparecem associados à cobertura jornalística.

A retirada de uma reportagem, por si só, não comprova interferência externa ou irregularidade editorial. Entretanto, quando um conteúdo de interesse público desaparece sem explicação, é legítimo que leitores questionem os motivos da decisão e cobrem esclarecimentos.

No caso da matéria sobre os recursos relacionados ao filme Dark Horse, permanece a necessidade de uma manifestação pública do UOL que esclareça se houve erro factual, revisão editorial, questão jurídica ou outro motivo para a retirada.

Até que esses esclarecimentos sejam apresentados, as informações sobre a motivação da decisão devem ser tratadas com cautela, distinguindo os fatos documentados das interpretações e acusações divulgadas pelos veículos envolvidos.

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