COM ATO EM SALVADOR, MBL CHAMA PETISTAS PARA A BRIGA



Até aqui, o chamado Movimento Brasil Livre "atuou dentro do cercado" ao pedir o impeachment de Dilma e atacar o PT, mas ao protestar amanhã na frente do Hotel Pestana, de Salvador, onde começará o V Congresso do PT, "o movimento da jovem direita adentra o terreno adversário e acende uma faísca perigosa", afirma Tereza Cruvinel, colunista do 247; provocados em restaurantes e xingados nas ruas, no trabalho ou na família, os petistas "têm enfrentado os ataques com estoicismo democrático" até aqui, "mas se o adversário for agredi-los lá, no maior encontro do partido, não sei não", acrescenta; jornalista pede que governador Rui Costa "reforce a segurança nas cercanias" e que deputados do DEM, que têm encontros com Kim, joguem "água fria no propósito claramente provocador" do MBL.

Até aqui, o chamado Movimento Brasil Livre co-patrocinou protestos, pediu o impeachment de Dilma, liderou marcha ao Congresso e atacou o PT, sempre revelando sua face de direita raivosa, preconceituosa e amiga da violência. Mas, até aqui, atuou dentro do cercado, em manifestações que reuniram o mesmo bloco ideológico de pessoas. Com a manifestação de amanhã, na frente do Hotel Pestana, de Salvador, onde começará o V Congresso do PT, o movimento da jovem direita adentra o terreno adversário e acende uma faísca perigosa.

Ir cutucar os petistas em seu congresso é uma provocação. É chamar para a briga os militantes petistas que lá estarão, tentando encontrar remédios para suas feridas. O clima já terá componentes emocionais mesmo na ausência de provocadores. Se os liderados de Kim Kataguiri repetirem ali suas performances exaltadas, no melhor estilo neo-fascista, estarão chamando os petistas para a reação e o confronto.

Revisitar a História faz bem. Em 1934, aconteceu na Praça da Sé, em São Paulo, o episódio que ficou conhecido como Revoada da Galinhas Verdes, um violento confronto entre comunistas e militantes da Frente Única Antifascista (FUA), contra os manifestantes da Ação Integralista Brasileira (AIB), os galinhas-verdes. Além dos muitos feridos, morreram seis guardas civis, um estudante e dois operários. Muitos outros confrontos entre comunistas e integralistas aconteceram naquele período de radicalização.

O PT vive seu inferno astral por muitas razões, não apenas por ter cometido erros. De tudo pode ser acusado mas não de ter violado as regras da convivência democrática. Aceitou as derrotas eleitorais que sofreu, os condenados do mensalão sujeitaram-se à Justiça e estão cumprindo as penas. Seus militantes – das autoridades apupadas em restaurantes aos filiados xingados nas ruas, no trabalho ou na família – têm enfrentado os ataques com estoicismo democrático. Mas se o adversário for agredí-los lá, no maior encontro do partido, não sei não. Por mais que a direção tente serenar os ânimos, alguns poderão sempre se exaltar, derramando o copo de mágoas.

O governador Rui Costa deveria reforçar a segurança nas cercanias. E os deputados do DEM com quem Kataguiri tem encontros marcados em Salvador também deviam jogar água fria no propósito claramente provocador.



Fonte - Brasil 247

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