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STF mergulha em crise interna e amplia desgaste público do Judiciário

"Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna", alerta um integrante do STF.

Prédio do STF, em Brasília — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por Celso Alonso

O Supremo Tribunal Federal vive um momento de evidente deterioração institucional. Longe de cumprir o papel de guardião da Constituição com equilíbrio e discrição, a Corte atravessa um período marcado por desconfiança entre ministros, conflitos internos e episódios que expõem o Judiciário de forma negativa diante da opinião pública.

O ambiente, segundo relatos internos, permanece contaminado mesmo após o Carnaval. O motivo central é o vazamento, e a suspeita de gravação clandestina, de reuniões reservadas relacionadas ao ministro Dias Toffoli e ao chamado caso Master. O episódio foi interpretado por integrantes do tribunal como uma ruptura grave da confiança interna, algo incompatível com a seriedade que se espera da mais alta Corte do país.

A crise ganhou contornos ainda mais preocupantes diante da indefinição sobre uma apuração formal. A expectativa recai sobre o presidente do STF, Edson Fachin, que até agora não deu sinais claros de que pretende investigar o ocorrido. A ausência de uma resposta firme reforça a percepção de omissão e contribui para a sensação de que o tribunal perdeu o controle sobre seus próprios limites institucionais.

Em meio a esse cenário já instável, uma operação da Polícia Federal realizada durante o Carnaval, baseada em inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, aumentou ainda mais a tensão. Embora a justificativa oficial seja a apuração de ataques ao Supremo, a decisão de incluir todos os ministros como possíveis alvos de espionagem causou desconforto generalizado dentro da Corte. Para críticos, a medida expôs indevidamente o tribunal e aprofundou a imagem de um STF excessivamente politizado.

A investigação apura se houve quebra ilegal de sigilo de ministros e familiares, com eventual uso político ou comercial das informações. Ainda que os fatos estejam em apuração, o simples avanço desse tipo de suspeita já provoca danos severos à credibilidade do Judiciário, alimentando desconfiança e descrédito na sociedade.

O caso envolvendo a violação de registros da esposa de Alexandre de Moraes, atribuída à atuação de servidores da Receita Federal, agravou a crise. Mesmo com esclarecimentos parciais, o episódio reforça a sensação de que o Supremo se tornou palco de disputas, vazamentos e conflitos que extrapolam qualquer normalidade institucional.

A sucessão de escândalos, inquéritos e tensões internas projeta o STF como um ator central da instabilidade política, especialmente em ano eleitoral. Em vez de funcionar como elemento moderador e de segurança jurídica, a Corte passa a ocupar espaço recorrente em manchetes negativas.

Ao permitir que seus conflitos internos transbordem para o noticiário e ao adotar posturas percebidas como personalistas e politizadas, os próprios ministros contribuem para a corrosão da imagem do Judiciário. O resultado é um Supremo cada vez mais questionado, fragilizado e distante da confiança popular, um cenário que compromete não apenas a instituição, mas a credibilidade do sistema de Justiça como um todo.

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