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Toffoli está nas mãos da CPI; Moraes depende de Mendonça



Os ministros do STF bem que tentaram desviar o assunto para o que os jornalistas de Brasília gostam de chamar de “pauta positiva”.

A pauta positiva foi composta pela decisão de proibir os penduricalhos de milhares de magistrados que não recebem cachês secretos por palestras em empresas (o que não torna os penduricalhos menos indecentes, obviamente) e pelo julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Ambos os assuntos ocuparam o noticiário por dois ou três dias até que voltou à baila o único assunto que interessa: as conexões de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Pelo tamanho do escândalo, pela dimensão dos personagens envolvidos e pela repercussão política concêntrica, mesmo a imprensa brasileira não poderia deixar de permanecer nessa pauta negativa. Quem mandou ter repórteres que ainda fazem o seu trabalho, não é?

Ontem, no mesmo dia em que se fez justiça aos familiares de Marielle e Anderson, a pauta negativa ganhou uma notícia e tanto com a aprovação da convocação dos irmãos de Toffoli para depor na CPI do Crime Organizado — aquela que passou a ser usada como estepe na falta de uma CPI do Master, boicotada por Davi Alcolumbre e Hugo Motta por razões bem sondáveis.

A CPI também quebrou o sigilo da Maridt, da qual Toffoli admitiu ser sócio — um veio que promete dar alegrias, já que foi por meio da empresa que as operações de venda do resort foram feitas.

Além do convocação dos irmãos de Toffoli e da quebra do sigilo da Maridt, a CPI do Crime Organizado quer ouvir executivos da gestora de fundos Reag, do BRB e do Master. A cereja desse bololô é o próprio Vorcaro, que teve hoje o seu sigilo quebrado por outra CPI, a do INSS.

Abro parêntese. Para esclarecer falhas que resultaram nas fraudes perpetradas pelo Master e também em esquemas de lavagem de dinheiro, a CPI do Crime Organizado convocou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Fecho parêntese.

Voltando ao que interesssa: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes foram convidados a falar, assim como a advogada Viviane Barci de Moraes, a mulher do ministro paladino da democracia brasileira, cujo escritório de advocacia firmou um contrato mirabolante de R$ 129 milhões com o Master. Por serem convites, nenhum deles está obrigado a comparecer.

Pelo andar da carruagem no Legislativo, se vier a rolar uma cabeça, deverá ser a de Toffoli. A questão para quem negocia a decapitação é que está difícil evitar que Moraes também seja guilhotinado. Aparentemente, nos estertores da vida dourada de Vorcaro, ele estava bem mais próximo do dono do Master do que Dias Toffoli.

O argumento de quem quer ver Moraes preservado é que ter um ministro decapitado seria saneamento para o STF; ter dois, significaria a completa desmoralização para o tribunal. Difícil, no entanto, encontrar um brasileiro fora de Brasília que pense o mesmo.

A esperança de quem não quer ver Moraes em maiores apuros é que André Mendonça, novo relator do caso no STF, segure a divulgação do conteúdo sobre o colega que consta no celular de Vorcaro.

Um relatório com o conteúdo sobre Moraes seria entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, assim como foi feito em relação a Dias Toffoli.

Ao assumir o caso, no entanto, André Mendonça determinou que os policiais responsáveis pela investigação não compartilhassem nenhum material com os seus superiores hierárquicos — e o relatório sobre Moraes desapareceu do horizonte visível.

Detalhes da relação do ministro com Vorcaro um dia virão a público? E, se vierem, serão divulgado na sua integralidade? Não é exagero dizer que Moraes está nas mãos de Mendonça. De qualquer forma, preste-se atenção à CPI do Crime Organizado, porque a coisa pode escapar de controle, transformando a pauta negativa em pauta fatal.

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