Vídeo de discussão viraliza e levanta debate sobre prerrogativas da advocacia e atuação de agentes públicos
Por Celso Alonso
Um episódio envolvendo integrantes da advocacia e militares ganhou grande repercussão nas redes sociais após um confronto ocorrido no Comando do 1º Distrito Naval. O caso teve como protagonistas o presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-RJ, James Walker, e o capitão-tenente Wagner Monteiro Moura.
A situação teve início após a prisão do advogado Adriano Rocha, que havia se dirigido à unidade militar para protocolar um documento em nome de um cliente. Segundo relatos, ao ser informado de que não poderia ser recebido pelo comandante, ele decidiu registrar em vídeo a leitura do pedido, exibindo apenas o próprio rosto.
A tensão aumentou quando o advogado tentou gravar um novo vídeo, desta vez direcionado à Comissão de Prerrogativas. Nesse momento, ele foi abordado por militares, que alegaram violação ao artigo 147 do Código Penal Militar, que trata de registros em áreas sob controle das Forças Armadas.
Diante da detenção, uma comitiva formada por cerca de dez advogados, liderada por James Walker, se dirigiu ao local. De acordo com o presidente da comissão, houve resistência por parte dos militares durante o atendimento, incluindo, segundo ele, descarte de documentos sob alegação de erros formais e atitudes consideradas desrespeitosas.
O advogado detido foi encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia para realização de exame de corpo de delito. Foi nesse momento que ocorreu o confronto mais acalorado. Segundo relatos, o capitão-tenente teria ameaçado utilizar força para conduzir o advogado antes da chegada da autoridade policial responsável.
A reação de James Walker foi imediata e firme. Em fala registrada em vídeo, ele confrontou o militar: “O senhor pega a sua arma! A OAB já resistiu a isso em outros tempos. O senhor não vai fazer isso com um advogado e muito menos comigo. Peço ao senhor o mesmo respeito que estou lhe dando”, declarou.
O advogado Adriano Rocha foi liberado no dia seguinte. O caso gerou forte repercussão e abriu debate sobre os limites da atuação militar em relação a civis, além da garantia das prerrogativas profissionais da advocacia.
As circunstâncias do episódio ainda devem ser analisadas pelas autoridades competentes.
Veja:
