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Filme sobre Lula recebeu financiamento de empresas ligadas a corrupção nos governos do PT

Esquerda de tentar concentrar ataques sobre Flávio Bolsonaro enquanto minimizam histórico de repasses milionários feitos por empresas envolvidas em escândalos nos governos petistas

(Foto: EFE / Antonio Lacerda)


Por Celso Alonso

A nova ofensiva política envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” passou a ser vista pela oposição como uma tentativa da esquerda de transferir o foco e neutralizar questionamentos sobre os financiadores do longa “Lula, o Filho do Brasil”, produção lançada em 2010 para retratar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Parlamentares conservadores afirmam que setores ligados ao governo, parte da militância petista, entre as quais se destacam parte da imprensa, tentam atribuir supostos crimes ao senador Flávio Bolsonaro antes mesmo do início de investigações envolvendo recursos do Banco Master. Para alguns, a estratégia serviria, entre outras questões de suspeitas de corrupção mais sensíveis envolvendo empresas ligadas ao governo, para desviar a atenção do histórico de financiamento empresarial recebido pelo filme sobre Lula, que contou com aportes de grupos posteriormente envolvidos em denúncias bilionárias de corrupção.

Segundo dados divulgados pela própria produção do filme em homenagem ao presidente da república, “Lula, o Filho do Brasil” recebeu cerca de R$ 12 milhões de 18 empresas privadas. Entre elas estavam gigantes como Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, JBS e EBX, companhias que, anos depois, se tornaram símbolos das investigações da Lava Jato e de outros escândalos envolvendo corrupção, superfaturamento de obras públicas, lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a políticos.

O tema voltou justamente após revelações sobre mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção associada ao universo político da família Bolsonaro. A Polícia Federal, ao contrário do caso envolvendo o filme de Lula e de outras suspeitas de corrupção envolvendo o governo petista, investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos ligados ao Banco Master, embora até o momento não exista nada de concreto ou mensão de atos de corrupção relacionados ao senador Flávio Bolsonaro nesse caso.

Para a oposição, há uma tentativa de construção antecipada de narrativa criminal contra nomes ligados à direita, enquanto episódios envolvendo produções favoráveis ao PT teriam sido tratados historicamente com complacência por setores políticos e parte da imprensa.

Parlamentares conservadores destacam que diversas empresas que financiaram o filme sobre Lula foram posteriormente investigadas, em outros casos, e tiveram executivos condenados ou envolvidos em acordos de leniência por participação em esquemas de corrupção durante os governos petistas. Embora parte dessas condenações tenha sido anulada posteriormente por decisões judiciais relacionadas a questões processuais, opositores afirmam que o histórico dos financiadores continua gerando desgaste político para o governo.

Agora, o cenário político ganha um novo componente de contradição que passou a ser explorado por parlamentares da oposição. Os mesmos setores da esquerda e aliados do governo que atualmente defendem a abertura de uma CPMI para investigar o Banco Master são acusados de, até poucos dias atrás, atuarem nos bastidores para impedir o avanço de investigações envolvendo Daniel Vorcado e sua instituição financeira. Integrantes da oposição afirmam que houve movimentações políticas e jurídicas articuladas para enfraquecer apurações consideradas sensíveis para o governo, inclusive com tentativas de judicialização junto ao Supremo Tribunal Federal. A mudança repentina de postura evidencia uma estratégia de conveniência política, ou seja, antes, conter investigações que poderiam atingir aliados; agora, apoiar uma CPMI como forma de direcionar o foco contra adversários políticos ligados à direita, visando o desgaste de Flávio Bolsonado em ano eleitoral.

A controvérsia também alimenta críticas sobre o que adversários do Planalto classificam como “dois pesos e duas medidas” no tratamento dado a casos envolvendo direita e esquerda. Segundo essa avaliação, suspeitas relacionadas a produções associadas à oposição rapidamente ganham repercussão nacional, enquanto financiamentos milionários recebidos por projetos ligados ao presidente Lula teriam sido relativizados mesmo após a explosão dos escândalos da Lava Jato. Um dos casos mais recentes foi o de utilização de recustos públicos para financiar o carnaval do Rio, aonde uma escola de samba recebeu R$ 9,6 milhões para homenager Lula em ano eleitoral, com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". Para a oposição, se a situação fosse o contrário, aonde a homenagem fosse a Bolsonaro, por exemplo, a crise estava instaurada e até mesmo "pedidos de prisões" já teriam sido decretados

O caso ainda provoca comentários sobre a proximidade histórica entre grandes empreiteiras, grupos empresariais e governos petistas, especialmente durante o período em que empresas investigadas mantinham contratos bilionários com o poder público e, paralelamente, financiavam projetos culturais e produções audiovisuais ligadas à imagem de figuras políticas influentes.

Nos Congresso, aliados de Bolsonaro afirmam que o episódio reforça a percepção de que há uma disputa narrativa em andamento para associar automaticamente a direita a suspeitas criminais, enquanto antigos vínculos financeiros entre governos petistas e empresas envolvidas em corrupção seriam colocados em segundo plano no debate nacional.

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