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Colômbia: socialista Petros não aceita resultado da eleição



O presidente socialista da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que ‘não reconhece’ os resultados da pré-contagem do primeiro turno das eleições presidenciais realizado neste domingo (31). A manifestação ocorreu após a divulgação dos números preliminares que colocaram o candidato de direita Abelardo de la Espriella à frente do senador Iván Cepeda, apoiado pelo atual governo.

Com quase a totalidade das urnas apuradas, De la Espriella apareceu com 43,73% dos votos, enquanto Cepeda obteve 40,91%. A candidata de direita Paloma Valencia terminou em terceiro lugar, com 6,92%, ficando fora da disputa final.

Em publicação na rede social X, Petro afirmou que não aceitará os números divulgados na etapa preliminar da apuração. Segundo ele, os únicos resultados com validade legal serão aqueles produzidos pelas ‘comissões escrutinadoras’, formadas por juízes e outros agentes públicos.

O presidente também levantou suspeitas sobre o sistema utilizado na pré-contagem. Sem apresentar provas na publicação, afirmou que os algoritmos do software teriam sido alterados diversas vezes nos últimos dias e que haveria uma diferença de aproximadamente 800 mil registros entre o censo eleitoral oficial e os dados utilizados pelo sistema de apuração.

“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem”, escreveu Petro, acrescentando que só reconhecerá os números oficiais produzidos durante o escrutínio judicial.

As declarações ampliaram a tensão política no país justamente após um resultado que favoreceu a oposição. A legislação colombiana prevê duas etapas de apuração: uma contagem preliminar divulgada na noite da eleição, sem efeito legal, e o escrutínio oficial, realizado posteriormente por autoridades eleitorais e judiciais, responsável pela validação definitiva dos votos.

Aliado de Petro, Iván Cepeda também pediu esclarecimentos sobre os números preliminares. Segundo ele, sua campanha recebeu informações sobre mesas com votações consideradas atípicas e iniciou uma verificação dos dados.

Já Abelardo de la Espriella reagiu com dureza às declarações do presidente. Em discurso após a divulgação dos resultados, afirmou que Petro não deveria questionar a vontade popular expressa nas urnas e prometeu defender o processo democrático.

Enquanto isso, a direita colombiana começou a se unir em torno da candidatura de De la Espriella para o segundo turno. Paloma Valencia anunciou apoio pessoal ao candidato, assim como o ex-presidente Álvaro Uribe, uma das principais lideranças conservadoras do país.

A decisão final da disputa presidencial será conhecida em 21 de junho, quando os colombianos voltarão às urnas para escolher entre De la Espriella, representante do campo oposicionista, e Iván Cepeda, apoiado pelo governo Petro. Até lá, a discussão sobre a confiabilidade da apuração promete dominar o debate político colombiano.

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