Imagem de viagem à Finlândia aparece em inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção; defesas negam irregularidades e contestam a divulgação do registro
Por Celso Alonso | BRASÍLIA 21/10/2026
Uma fotografia do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado da lobista Roberta Luchsinger, passou a chamar atenção após ser divulgada pelo site da revista Veja. A imagem, que integra o inquérito da Polícia Federal (PF), mostra os dois em um jatinho avaliado em mais de US$ 20 milhões, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quarta-feira (21).
O registro está relacionado a uma viagem à Finlândia, realizada no início de 2025, com o objetivo de observar a aurora boreal. A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha e Roberta, em um suposto esquema relacionado à facilitação de contratos com o governo federal para medicamentos à base de canabidiol.
Até o momento, as suspeitas descritas nas reportagens não equivalem a uma comprovação de crime. As defesas dos investigados negam irregularidades e contestam aspectos da divulgação das informações.
Investigação apura relações e possíveis benefícios
De acordo com as informações divulgadas pelo Metrópoles, a PF investiga a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger, além de possíveis conexões com negócios e contratos públicos.
A fotografia no interior da aeronave integra o material reunido no inquérito. A divulgação, porém, não demonstra isoladamente a existência de tráfico de influência, corrupção ou qualquer outra conduta criminosa. A apuração depende da análise das circunstâncias das viagens, de eventuais pagamentos e de outros elementos que possam esclarecer a natureza da relação entre os envolvidos.
A defesa de Lulinha afirma que a viagem ocorreu entre amigos e que não há irregularidade na relação pessoal entre ele e a empresária.
Procurado pelo Metrópoles, o advogado Marco Aurélio de Carvalho rejeitou as suspeitas e questionou o momento em que a fotografia foi divulgada.
Segundo o defensor, as imagens já constavam do inquérito e retratariam uma viagem privada entre duas famílias amigas. Ele afirmou ainda que, até aquele momento, a investigação não teria identificado comportamento ilícito por parte de Lulinha ou de Roberta.
O advogado também negou que a empresária custeasse sistematicamente as despesas do filho do presidente. Admitiu, contudo, a possibilidade de ela ter pago alguma viagem, argumentando que isso, por si só, não configuraria irregularidade.
A defesa sustenta que Lulinha arca com suas despesas por meio do próprio trabalho.
A defesa de Roberta Luchsinger adotou outra linha de manifestação. Em resposta ao Metrópoles, informou que não comentaria o que classificou como vazamentos ilícitos de fotografias cuja autenticidade considera duvidosa.
A declaração não esclarece, por si só, se a empresária contesta formalmente a autenticidade da imagem específica ou se questiona a forma como o material foi divulgado. A apuração desse ponto depende de esclarecimentos adicionais.
A reportagem do Metrópoles menciona outras viagens atribuídas a Lulinha, incluindo uma comemoração de aniversário durante o Rock in Rio Lisboa, em 2024, e uma visita à Grande Muralha da China, no ano seguinte. Segundo o veículo, os passeios teriam contado com benefícios oferecidos por empresários.
A publicação também informa que Lulinha reside em um condomínio de alto padrão nos arredores de Madri, na Espanha. Interlocutores do empresário afirmaram que ele paga aluguel de aproximadamente 3 mil euros mensais, equivalente a cerca de R$ 18 mil na cotação mencionada na reportagem.
Essas informações, isoladamente, não comprovam irregularidade financeira. Para que possam ter relevância jurídica, eventuais benefícios precisam ser examinados no contexto da investigação, considerando sua origem, finalidade e possível relação com decisões ou contratos públicos.
O caso ganhou dimensão política após Roberta Luchsinger publicar um vídeo nas redes sociais, em 18 de outubro, no qual acusou o presidente Lula e integrantes do governo de mentirem sobre suas relações com ela e com seu filho.
A empresária também afirmou enfrentar três inquéritos da Polícia Federal e declarou estar colaborando com a Justiça. Em entrevista à CNN, mencionada pelo Metrópoles, fez críticas contundentes ao presidente.
Roberta ainda alegou que Lulinha mantinha contatos frequentes com o presidente da empreiteira portuguesa Mota-Engil, empresa associada ao contrato bilionário para a construção do túnel Santos–Guarujá, em São Paulo.
Essas declarações são alegações da empresária e precisam ser confrontadas com documentos e demais elementos de prova. A existência de contatos pessoais ou empresariais, por si só, não comprova favorecimento indevido.
A fotografia de Lulinha com Roberta Luchsinger acrescenta um elemento visual ao conjunto de informações que vêm sendo divulgadas sobre a investigação. Entretanto, o ponto central permanece na apuração de possíveis pagamentos, benefícios, relações comerciais e eventual influência sobre decisões da administração pública.
Até que os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes, é necessário distinguir as suspeitas investigadas das acusações feitas publicamente e das conclusões que eventualmente venham a ser estabelecidas pela Justiça.
Fonte: Informações publicadas pelo Metrópoles em 21 de outubro de 2026, com atribuição das declarações às respectivas defesas e aos envolvidos.

