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O que as autoridades têm a justificar sobre o abandono que se encontra o entorno do Distrito Federal? Falta de tudo na região. Em Valparaíso, por exemplo, fica claro que a violência não é um problema isolado. A cidade tem 130 mil habitantes. A falta de policiais, de médicos, de saneamento, enfim, falta quase tudo.
Poucas são as ruas de Valparaíso que possuem saneamento, um privilégio que não é para todos. “Não tem infraestrutura nenhuma. Nossa rua só tem saneamento até a metade, como fica o restante dos moradores que são obrigados a conviver com o contraste social num mesmo lugar?”, perguntou o professor Bruno Cordeiro. “Saneamento, segurança e saúde estão péssimas em todos os níveis. A gente está cansado, nem promessas dos governantes têm aqui na cidade. Eles não se pronunciam”, reclamou o vendedor Gilmar Lima.
No hospital público, o atendimento é só para casos mais simples. Os mais graves são encaminhados para o Distrito Federal. “O atendimento é precário. Faltam médicos. Um mesmo profissional atende várias especialidades ao mesmo tempo e não temos a certeza de um bom atendimento de saúde”, disse uma enfermeira.
O principal problema enfrentado pela comunidade, no entanto, é a violência. Na madrugada de segunda-feira (30), por exemplo, dois jovens foram assassinados ao saírem de um bar. O curioso é que o estabelecimento fica a poucos metros da delegacia de polícia, que segundo informações fecha a noite. Para o presidente do Sindicado da categoria (Sinpol), Silveira Alves de Moura, a delegacia é pra ser uma central de flagrantes, composta por uma equipe completa de delegados, escrivães e agentes. “Porém a realidade é outra”, diz o presidente. “Atualmente, se tiverem muito, são uns vinte policiais e mais o pessoa do expediente que não chega a dez”, afirma.
O município registrou no ano passado o maior percentual de homicídios por número de homicídios. Foi 76 casos para cada grupo de cem mil habitantes, número três vezes maior do que a média nacional, e estando sete vezes acima da média mundial, incluindo as guerras. 
A cidade goiana está há 40 quilômetros do centro Brasília, localizada na divisa com o Distrito Federal, sendo considerada uma cidade dormitório, pois muitos moradores de Valparaíso trabalham em Brasília.
Por não terem opções devido o alto custo de vida e o inchaço na capital federal, boa parte da população da cidade é obrigada a residir no local. “A região do entorno, como é conhecida, é uma área abandonada e infelizmente somos obrigados a viver aqui, devido à falta de opção”, disse um morador.
 “O entorno é o que nós chamamos de ‘nem’: nem Brasília nem Goiás. É uma área esquecida, principalmente na questão da segurança pública, não temos efetivo, tampouco algum incentivo para desenvolver nossas funções. Em questões salariais, estamos muito aquém dos salários recebidos por policiais do DF, apesar de estamos na fronteira dos estados e de sermos considerados pela população, mais DF do que Goiás”, disse o policial.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, reclama que faltam recursos e quer ajuda. “Nós pedimos socorro. Goiás sozinho não consegue resolver aqueles problemas que são enormes e que não são somente nossos. Nós estamos pedindo a ajuda do governo federal e ao governo de Brasília para que nós consigamos buscar soluções definitivas”, disse o governador.
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Torres Avelar, diz que o governo tem disposição de fazer uma atuação conjunta. “Os governos têm sentado para tratar dessas questões não só no que diz respeito à segurança pública, mas também em outros setores de interesse, como por exemplo, a saúde. Há hoje já uma preocupação de se fazer esse trabalho de forma integrada”, declarou.
O Ministério da Justiça informou que não há pedidos do governo de Goiás para o reforço do efetivo, porém este, já atua no estado. Disse ainda que a Força Nacional de Segurança tem caráter temporário e que serve como medida complementar de segurança, cabendo aos estados o planejamento de segurança de suas cidades. Porém como fazer planejamento se não há recursos suficientes para manter o mínimo. Enquanto o governo não se posiciona com ações concretas, o povo do entorno fica a mercê de políticas públicas que garantam ao menos os direitos mínimos constitucionais.


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