Governadora afirma que mobilização marcada para quarta-feira pode ampliar o confronto político; Sinpro-DF reivindica autonomia pedagógica, melhores condições de trabalho e definição do calendário escolar de 2027
BRASÍLIA, 19/10/2026
Por Celso Alonso | BRASÍLIA 19/10/2026
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), fez um apelo ao Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) para que a entidade reconsidere a paralisação da rede pública de ensino convocada para quarta-feira (21/10), a quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (19), durante uma caminhada de campanha na região do Pôr do Sol. Para Celina, a proximidade da votação pode transformar a mobilização em um episódio de disputa política, aumentando o risco de confronto entre a categoria e o governo.
“Eu faço um apelo ao sindicato para que não faça. É um momento de politização, quatro dias antes da eleição. É muito ruim, coloca a categoria em uma situação de confronto”, afirmou a governadora.
Governadora defende diálogo e alerta para prejuízos aos alunos
Celina reconheceu a legitimidade das reivindicações dos profissionais da educação e declarou estar aberta ao diálogo com os professores e seus representantes. A chefe do Executivo, entretanto, defendeu que a mobilização seja realizada em outro momento, evitando que a disputa eleitoral interfira nas negociações.
“Estou sempre disposta a atender tanto o sindicato quanto os professores. Sempre os respeitei. Agora a gente tem possibilidade de melhorar, fazer um novo momento. Mas uma paralisação quatro dias antes da eleição?”, declarou.
A governadora também destacou os impactos que a suspensão das aulas pode provocar na comunidade escolar, especialmente entre os estudantes e as famílias que dependem do funcionamento regular das unidades de ensino.
“Quem perde, principalmente, é a comunidade escolar”, acrescentou.
O Sinpro-DF convocou os profissionais da rede pública para uma paralisação geral na quarta-feira, a partir das 9h, na Praça do Buriti, em Brasília. Segundo a entidade, a mobilização prevê a suspensão das atividades escolares durante o dia.
Entre as principais reivindicações estão a definição do calendário escolar de 2027, o concurso de remanejamento dos profissionais e a defesa da autonomia pedagógica das unidades de ensino.
O sindicato também questiona medidas relacionadas ao planejamento das escolas e a proibição de cartazes da entidade nas unidades da rede pública.
Na convocação, a organização sindical aponta problemas que, segundo sua avaliação, afetam o funcionamento do sistema educacional, incluindo superlotação, dificuldades na Educação Especial e Inclusiva, precarização da Educação de Jovens e Adultos (EJA), falta de estrutura física e condições inadequadas de trabalho.
A entidade também menciona preocupações com o sistema Educa-DF e com o adoecimento dos profissionais da categoria.
A paralisação coloca em evidência o embate entre o governo distrital e a representação sindical dos professores em um período de intensa movimentação política no Distrito Federal.
De um lado, Celina Leão pede que a categoria adie o protesto para evitar o agravamento das tensões às vésperas do segundo turno. De outro, o Sinpro-DF apresenta uma pauta de reivindicações relacionada à organização escolar, às condições de trabalho e à autonomia pedagógica.
O desfecho da mobilização poderá afetar diretamente estudantes, pais e responsáveis que dependem das escolas públicas. Até que haja eventual entendimento entre as partes, a paralisação permanece convocada para quarta-feira, às 9h, na Praça do Buriti.

